Desmatamento: governo planeja levar embaixadores à Amazônia em outubro, diz Mourão

Anúncio ocorre após vice-presidente receber carta assinada por oito países europeus que dizem que o aumento do desmatamento dificulta a compra de produtos brasileiros. Após receber uma carta assinada por oito países europeus que dizem que o aumento do desmatamento dificulta a compra de produtos brasileiros, o vice-presidente, Hamilton Mourão, declarou nesta quarta-feira (16) que o governo planeja para outubro uma viagem de embaixadores à Amazônia.
Mourão disse ainda que o Itamaraty conversará com representantes da embaixada da Alemanha, que encabeça a lista de países que assinam a carta. O país também preside o Conselho Europeu, que reúne os chefes de estado e de governo dos estados-membros da UE, e é responsável por definir as orientações gerais, as prioridades políticas e a política externa comum do bloco.
Além da Alemanha, assinam a carta Dinamarca, França, Itália, Holanda Noruega, Reino Unido e Bélgica. Os países se dizem comprometidos em eliminar o desmatamento das cadeias de produtos agrícolas comprados por eles.
O teor da carta foi discutido em reunião mais cedo entre Mourão e os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura). Participou também o secretário-geral do Itamaraty, Otávio Brandelli.
“Nós fizemos uma reunião para ver qual o tratamento que seria dado. A decisão é que o Itamaraty vai conversar com o embaixador Alemão. Na carta, eles colocam os representantes deles à disposição para o diálogo, daí nós estamos planejando aquela viagem, que já falei para vocês, à Amazônia. Vai ser feita no final de outubro”, disse Mourão.
Agosto registra o pior índice de desmatamento na Amazônia dos últimos dez anos
O vice-presidente considerou que a carta não tem “tom agressivo” e repete o conteúdo de outras manifestações recebidas pelo governo, criticado em razão da política ambiental do presidente Jair Bolsonaro.
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Para Mourão, o “ponto focal” da carta é a possibilidade de rastrear as cadeias de valor de alimentos. A discussão ocorre em um contexto de barreiras comerciais, no qual o Brasil precisa fazer negociação diplomática e ambiental.
“Faz parte da estratégia comercial dos países europeus essa questão da cadeia de suprimento, isso é uma barreira. Existem barreiras tarifárias e não tarifárias, então, isso a gente tem que fazer a negociação, não só comercial, mas diplomática, como a ambiental também”, disse.
Carta
Na carta, o grupo de países diz que ações tomadas pelo Brasil no passado, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desflorestamento na Amazônia Legal, o Código Florestal Brasileiro e a Moratória da Soja na Amazônia, são reconhecidos pelo efeito que tiveram na redução do desmatamento.
Porém, alertaram que o desmatamento aumentou em “taxas alarmantes”. Isso, segundo o grupo de países, criou uma preocupação na comunidade europeia.
De acordo com dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados na terça-feira (15), os alertas de desmatamento na floresta subiram 68% em agosto de 2020 na comparação com o mesmo mês do ano passado. O Brasil tem sofrido nos últimos dias também com queimadas em outros biomas, como o Pantanal.
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