Desempregada, grávida pede ajuda para dar comida aos três filhos: ‘Só tinha um ovo’


A dona de casa Rafaela Freris Silva mora em Goiânia e está no sexto mês da gestação, mas tem se alimentado pouco, pois falta comida para a família: ‘Tomei só café puro, porque não tinha mais nada’. Dados do IBGE apontam que mais de 350 mil pessoas passam fome em Goiás
Desempregada, a dona de casa Rafaela Freris Silva, de 23 anos, pede ajuda para alimentar os três filhos pequenos. Grávida de seis meses, ela enfrenta as dificuldades de conviver com a falta do que comer. Com a geladeira praticamente vazia, Rafaela precisou dividir o único ovo que tinha na casa entre os três filhos.
“Tinha só um ovo para três crianças. Peguei e fritei para os meus meninos comerem”, contou.
Gestante, Rafaela conta que tomou apenas café puro durante a manhã, pois era o que tinha em casa, no Setor Recanto das Minas Gerais, em Goiânia.
“De manhã tomei só café puro mesmo, porque não tinha leite, não tem nada. E para almoçar tinha um pouquinho de feijão, um arroz branco que eu fiz e o ovo [para as crianças]”, relatou.
O marido de Rafaela trabalha como carregador na Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa-GO), mas a renda não é suficiente para pagar o aluguel e as contas de casa.
Sem gás em casa, Rafaela tem usado álcool para acender o fogo e fazer a comida, quando tem algo para cozinhar.
Rafaela Freris e filhos, em Goiânia, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Fome em Goiás
Uma pesquisa divulgada na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que, entre 2017 e 2018, cerca de 352 mil pessoas passavam fome no estado. Do Centro-Oeste, Goiás ficou com o segundo maior índice de pessoas com dificuldade para comprar comida, atrás apenas do Mato Grosso do Sul.
De acordo com o chefe do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira, as pessoas em situação de insegurança alimentar grave, isto é, que estão passando fome, comem apenas metade da quantidade de alimentos que as pessoas em situação de segurança alimentar.
“Então, além de se alimentar menos, se alimenta também com pior qualidade do que se alimentava antes”, explicou.
Segundo ele, um dos principais motivos para os números da pesquisa é o crescimento do desemprego e do trabalho informal.
“O desemprego aumentou, nós tivemos um grande aumento do emprego informal no país e a informalidade faz com que as pessoas ganhem menos. A gente tinha cerca de 40% de pessoas na informalidade que ganhavam cerca de 70% daquilo que ganhavam os empregados formais”, pontuou.
Geladeira vazia na casa de Rafaela Freris, em Goiânia, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera

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