Crivella avalia como ‘estranha’ operação do MP e nega pagamentos em suposto ‘QG da Propina’

RIO – O prefeito do Rio Marcelo Crivella se manifestou, no fim da tarde desta segunda-feira, sobre a operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio (MP-RJ) que cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência na Barra da Tijuca, no início da manhã. Em vídeo divulgado pelas redes sociais, Crivella classificou a operação como “estranha (…) considerando ainda que estamos em período eleitoral”, e também avaliou a ação como “injustificada”. O prefeito é candidato à reeleição neste ano.

De acordo com Crivella, seu advogado Alberto Sampaio havia se reunido na última semana com o subprocurador do MP, Ricardo Martins, “colocando à disposição os meus sigilos bancário, telefônico e fiscal por conta de denúncias publicadas na imprensa”.

“Portanto, foi estranha a operação realizada hoje na minha casa, considerando ainda que estamos em período eleitoral. No entanto, quero registrar que vi respeito e integridade no procurador, no delegado e no oficial de justiça. A ação durou cerca de uma hora e nada foi encontrado. Considero essa ação injustificada, já que sequer existe denúncia formal e eu não sou réu nesta ou em qualquer outra ação”, afirmou Crivella no vídeo.

O GLOBO revelou em dezembro passado que Crivella era investigado por um suposto esquema de corrupção na prefeitura. Segundo delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, o empresário Rafael Alves, irmão do ex-presidente da Riotur Marcelo Alves e próximo a Crivella, teria montado um “QG da Propina”, cobrando vantagens ilícitas de empresas que desejavam receber o pagamento de faturas em aberto oriundas da gestão Eduardo Paes.

Em março, o MP e a Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão contra 17 alvos, entre eles a sede da Riotur, na Barra da Tijuca, e também as residências de Rafael e Marcelo Alves. Rafael foi novamente alvo de busca e apreensão na operação desta quinta-feira, que mirou 22 alvos, incluindo o próprio prefeito Marcelo Crivella e aliados políticos de longa data, além de empresários.

Relembre: Entenda a operação do MP que mirou, em março, o ‘QG da Propina’

Mais recentemente, em ação que tramita na Justiça Eleitoral e que não tem relação com o suposto “QG da Propina”, o Ministério Público pediu que Crivella fosse declarado inelegível por oito anos por conta do episódio, revelado pelo GLOBO em 2018, que ficou conhecido como “Fala com a Márcia”, em que o prefeito acenou com vantagens a pastores e fiéis em encontro no Palácio da Cidade.

‘Nunca foi feito qualquer pagamento’

Crivella negou, no vídeo divulgado nesta quinta-feira, que sua gestão tenha feito quaisquer pagamentos à Locanty, empresa que teria enviado cheques a Sérgio Mizrahy referentes ao pagamento de propina à prefeitura, segundo a delação premiada do doleiro.

Na operação deflagrada em março, os investigadores teriam encontrado na casa do empresário João Alberto Felippo Barreto, o João da Locanty, documentos – planilhas de recebíveis, principalmente – das empresas de serviços com contratos com a prefeitura, mas que o empresário insiste em dizer que não é sócio. As propinas, ainda de acordo com a delação de Mizrahy, seriam pagas a Rafael Alves.

“Vocês podem conferir no site de transparência da Prefeitura que nunca durante o meu governo foi feito qualquer pagamento a essa empresa”, afirmou Crivella. “Apesar disso, do fundo do meu coração, confesso que prefiro o Ministério Público voluntarioso, mesmo com alguns excessos, do que aquele omisso, que permitiu ocorrer no Rio de Janeiro, em gestões passadas, o maior volume de corrupção já visto no mundo, que tantos prejuízos trouxeram e ainda trazem ao nosso povo”.

Segundo Crivella, a busca e apreensão desta quinta-feira durou cerca de 1 hora em seu apartamento, e disse que “nada foi encontrado”. O celular do prefeito foi apreendido pelos investigadores. Depois da ação, Crivella foi cumprir agenda e participou de uma formatura militar com as presenças do presidente Jair Bolsonaro e do governador em exercício Cláudio Castro.

O prefeito informou, em vídeo, que os agentes que cumpriram o mandado de busca e apreensão não explicaram o motivo da operação. Mais cedo, o advogado de Crivella afirmou que estava solicitando acesso eletrônico aos autos do processo, que corre sob sigilo. Os mandados foram expedidos pela desembargadora Rosa Maria Helena Guita, relatora do caso no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).

Leitores On Line