Crise do coronavírus mostra quais startups são ‘castelos de cartas’, diz analista

As demissões em gigantes da tecnologia, como Uber e Lyft, ganharam as manchetes nas últimas semanas, em meio à crise do novo coronavírus, que está aniquilando a próxima geração de startups aspirantes a “unicórnios” e forçando algumas a fechar as portas para sempre.

Alguns empreendimentos promissores podem quebrar nas circunstâncias adversas que estamos vivendo, mas a crise econômica serviu para revelar quais empresas em estágio inicial contam com uma liderança forte e um modelo de negócios sustentável, características necessárias para enfrentar situações como essa, explica Stephanie Mehta, editora-chefe da revista de negócios Fast Company.

Foto: Getty Images

“As empresas que têm planos de negócios e modelos reais serão capazes de sobreviver à crise”, comenta Stephanie, em uma entrevista gravada em 27 de abril. “No entanto, muitas outras vão cair, como castelos de cartas”.

“Minha preocupação, sem necessariamente analisar a contabilidade ou a situação financeira das empresas, é a liderança”, acrescenta Stephanie, ex-repórter de negócios do The Wall Street Journal e editora executiva da Fortune.

“Muitas dessas empresas não estão preparadas para lidar com o estresse cultural que a crise vai provocar”, completa ela.

De acordo com um rastreador criado pelo layoffs.fyi, baseado em notícias publicadas pela mídia, mais de 500 startups de tecnologia demitiram aproximadamente 60.000 pessoas desde a chegada do coronavírus nos EUA, em meados de março. Naquele mês, as vagas abertas nas 30 startups mais valiosas dos Estados Unidos caíram 19%, de acordo com o Thinknum Alternative Data, divulgado pelo New York Times.

A dificuldade econômica atingiu até setores modernos, como inteligência artificial e espaços de trabalho compartilhados. A Starsky Robotics, uma empresa de veículos sem motoristas com sede em San Francisco, que já faturou mais de US$ 20 milhões, fechou em março. Já a Knotel, fornecedora de espaços de trabalho flexíveis, demitiu metade dos 400 funcionários, e a concorrente Convene demitiu um quinto da equipe e concedeu licença a metade dos funcionários restantes.

Stephanie conta que as consequências da crise econômica podem ser agravadas por administradores novos ou jovens, que não têm experiência no gerenciamento de empresas em meio a turbulências.

“Muitas das empresas sobre as quais a Fast Company escreve foram abertas entre 2008 e 2010, portanto, os fundadores, os CEOs e as equipes de liderança nunca enfrentaram uma crise”, comenta ela.

Stephanie fez esses comentários durante um episódio de “Influencers with Andy Serwer”, uma série de entrevistas semanais do Yahoo Finanças com líderes de negócios, política e entretenimento.

Desde 2018, Stephanie trabalha como editora-chefe da Fast Company. Antes disso, ela trabalhou como repórter e editora em publicações como The Wall Street Journal, Fortune, Bloomberg e Vanity Fair.

Na Fortune, ela trabalhou com Serwer, que saiu em 2014 e se tornou editor-chefe do Yahoo Finanças no ano seguinte.

Stephanie observou também que é difícil identificar as consequências exatas da crise para a comunidade de startups, citando os danos econômicos súbitos que vieram agora, logo depois de uma grande expansão.

“Essa crise é muito complexa, tanto pela velocidade com que os índices de desemprego estão aumentando quanto pelo fato de que já passou muito tempo desde a última crise econômica”, explica ela.

Stephanie lembrou de uma observação feita por Ellen Coleman, ex-CEO da DuPont, que assumiu a gigante química em 2008, em meio à Grande Recessão: “Quando a maré está baixa, aparecem todas as pedras na praia”.

COM AGÊNCIAS

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