Covid-19: cozinheira de 73 anos morre seis dias depois da filha em Campinas: ‘Era um ser de luz’


Elisa Inês da Silva faleceu no dia 16 de julho, enquanto a filha Angelina, de 44 anos, morreu em 10 de julho, ambas por coronavírus. Ex-alunas de escola e vizinha relembram sorriso largo e carinho. A cozinheira aposentada Elisa Inês da Silva, de 73 anos, integra a triste lista de vítimas do novo coronavírus em Campinas (SP). A mulher, que morreu no dia 16 de julho, havia perdido a filha, Angelina, de 44 anos, para a Covid-19 seis dias antes. “Tia Isa”, como era conhecida na Escola Estadual Marechal Mallet, onde trabalhou por 13 anos, é descrita como um “ser de luz” por ex-estudantes do colégio.
“[Ela] era um anjo, não era só gente. Acolhia todo mundo com carinho, sorria dando a merenda, fazia tudo com amor. […] É um ser de luz. Deixou saudade. É um ser de muita energia positiva. Ela não esqueceu de ninguém… onde encontrava, abraçava e sorria”, relembra a ex-aluna e diretora educacional Audrey Francisco.
‘Tia Isa’ e Audrey, ex-aluna da escola Marechal Mallet, de Campinas
Arquivo pessoal
Além do carinho com Tia Isa, Audrey também tem ótimas lembranças com Angelina. As duas foram colegas de escola e fizeram primeira comunhão juntas. “Angelina era uma menina mais tímida, introspectiva, mas com um grande coração como a mãe. Tinha uma gargalhada maravilhosa, era companheira da tia Isa, uma pessoa amorosa”.
“Mesmo depois de anos, vendo as fotos, consigo ouvir sua gargalhada, a vejo sorrindo”, lembra Audrey, sobre a colega.
Assim como Audrey, a empresária Ana Paula Crepaldi guarda as lembranças que dividiu com Elisa com muito carinho. A ex-aluna, que estudou no Marechal Mallet na década de 1980, conta que a “marca registrada” da cozinheira era o sorriso largo e o turbante que sempre usava na cabeça.
“Sempre pronta para dar mais uma bolachinha pra gente, sempre uma alegria muito grande. Estudamos com a Angelina, a filha da tia Isa, e ela era era muito parecida com a mãe. Na questão da alegria, no contato com todos. […] Essa memória afetiva vai ficar com a gente pro resto das nossas vidas”, relata.
Angelina e Audrey durante a primeira comunhão em Campinas
Arquivo pessoal
‘Sorriso largo’
A vizinha e amiga Gislaine da Silva conhecia Elisa há 30 anos e é madrinha da neta dela. Na hora de definir a amiga, o sorriso fácil mencionado pelas ex-alunas da Marechal Mallet também foi a primeira lembrança.
“Uma senhora marcante, de sorriso largo. Carregava sempre um carrinho, porque pegava comida para os cachorros, porque ela adorava os animais”, contou.
Após 13 anos no colégio Marechal Mallet, Tia Isa foi transferida para a Divisão Regional de Ensino, onde trabalhou até a aposentadoria.

Com Agências