Corredores driblam pandemia para participar de prova pela inclusão


São Paulo

A pandemia do coronavírus não mudou apenas a rotina de atletas profissionais. Competidores amadores também tiveram que buscar alternativas para manter as práticas esportivas.

Nada que abalasse a motivação da engenheira química Ellen Lazzarini, 32. Ela integra um grupo de amigos que costumam participar de corridas de rua em prol de causas sociais e encontrou uma alternativa para se manter na ativa: correr sozinha.

Ellen abraçou a ideia do Instituto Olga Kos, que atende a cerca de 3.000 pessoas, entre crianças e adultos, com deficiência intelectual. Impossibilitada de realizar a sexta edição de sua corrida anual, a instituição pediu a todos os inscritos que corressem em casa ou no próprio bairro, respeitando o distanciamento social.

https://venha.leraqui.net/wp-content/uploads/2020/09/ellen20lazzarini203220engenheira20quc3admica20participa20de20corrida20e20caminhada20em20prol20da20inclusc3a3o.html
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Arquivo pessoal

“Eu e o pessoal do meu grupo ficamos felizes de poder correr mesmo nesse formato, porque o importante para nós é a causa”, disse a engenheira. “Nós conhecemos o Olga Kos no ano passado, pesquisando sobre uma corrida que tivesse esse objetivo de inclusão, e gostamos muito do trabalho deles”, conta.

Neste ano, a corrida organizada pelo instituto celebrava o Dia Internacional da Síndrome de Down. Antes da pandemia, a prova estava marcada para ocorrer no dia 21 de março, justamente quando a data é lembrada, em alusão à trissomia do cromossomo 21, característica das pessoas com a síndrome.

A partir de julho, cada competidor inscrito foi incentivado a realizar sua corrida de forma individual e publicar fotos nas redes sociais com a hashtag #corridaiok. As inscrições para a compra e retirada dos kits já se encerraram, mas novas postagens continuam sendo feitas.

“Meus amigos e eu combinamos de correr no mesmo fim de semana e compartilhamos fotos para poder ter uma interação com o grupo. Ficamos felizes porque isso ajuda na divulgação do IOK”, diz Ellen, que correu 5 km usando uma meia de cada cor. “Isso é um dos símbolos da inclusão”, afirma.

O aspecto social da prova também foi o que atraiu o estudante de direito Antônio Tobias, 25. Acostumado a participar de corridas e caminhadas, o universário estranhou no começo o formato deste ano, mas não deixou que isso afetasse sua motivação.

“Eu corri na edição do ano passado, no Ibirapuera. Nesse ano, devido à pandemia, foi um pouco diferente porque não teve a adrenalina e a empolgação de uma corrida, mas eu gostei de participar mesmo assim”, diz. “Fazer uma atividade na quarentena foi bom, mas acaba não sendo tão importante quanto o intuito da corrida”, emenda.

Assim como Ellen, Antônio correu respeitando o distanciamento social necessário neste momento para conter a disseminação do novo coronavírus. “Espero que tudo isso passe logo para a edição do ano que vem poder ser realizada normalmente.”

Segundo o Olga Kos, em 2019 a corrida teve cerca de 10 mil inscritos, entre amadores e profissionais. Além deles, 2.000 beneficiários da instituição, acompanhados por seus familiares, participaram da atividade.

Fundado em 2007, o IOK utiliza esportes e artes como ferramentas para melhorar a capacidade física, emocional e cognitiva de cerca de 3.000 pessoas com deficiência intelectual de várias faixas etárias.


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