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ONG Sea Watch capturou fotos do corpo que está há dias à deriva.

Em mais um episódio da crise migratória no Mediterrâneo, o corpo de uma pessoa não identificada completou 15 dias à deriva no mar
, apesar dos recorrentes apelos de entidades humanitárias para resgatá-lo.

As primeiras imagens do cadáver
, que está preso no que sobrou de um bote inflável, foram feitas pelo avião de monitoramento Seabird, da ONG Sea Watch, em 29 de junho.

“Ontem, em sua primeira missão, o Seabird avistou na área de resgate líbia aquilo que nunca gostaríamos de lhes mostrar: o corpo sem nome de uma pessoa nos restos de um bote semiafundado e do qual não sabemos nada”, diz uma mensagem postada pela ONG no Twitter no dia seguinte.

Desde então, o avião já avistou o cadáver quatro vezes, mas ele continua à deriva no Mediterrâneo. “Um corpo no mar há duas semanas na costa da Líbia. Ninguém quer dar a ele uma sepultura
“, lamentou a Cáritas, organização beneficente da Igreja Católica.

A hipótese é de que a pessoa tenha morrido em uma das ” viagens da morte
” de migrantes e refugiados
em barcos e botes superlotados. A região do Mediterrâneo Central, entre Líbia e Itália, tem tido uma intensificação dos fluxos migratórios nas últimas semanas, coincidindo com o início do verão no Hemisfério Norte, quando o mar fica mais calmo.

2020

O número de migrantes forçados que cruzam o Mediterrâneo rumo à Itália vinha caindo desde 2017, quando o governo de Paolo Gentiloni, de centro-esquerda, assinou um acordo para treinar, equipar e financiar a Guarda Costeira da Líbia para conter os fluxos na região.

Em 2016, o país europeu acolheu 181,4 mil deslocados internacionais via Mediterrâneo, cifra que baixou para 119,4 mil no ano seguinte e 23,4 mil em 2018, quando o líder de extrema direita
Matteo Salvini assumiu o Ministério do Interior e endureceu as políticas migratórias.

Em 2019, cerca de 11,5 mil migrantes concluíram a travessia, de acordo com dados do Ministério do Interior. No entanto, as estatísticas oficiais mostram que a cifra voltou a subir neste ano: a Itália contabiliza a chegada de 9.771 deslocados internacionais em 2020, um aumento de 206% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Além disso, o acordo da Itália com a Guarda Costeira da Líbia é alvo de críticas de entidades humanitárias, já que o chamado “governo de união nacional” controla apenas a porção ocidental do país africano e é acusado de violar os direitos humanos de migrantes e refugiados em suas prisões.