Copom freia cortes nos juros e mantém taxa básica em 2%

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, se encerrou nesta quarta-feira, 16, com o anúncio de manutenção da taxa Selic em 2% ao ano, o patamar mais baixo da história após nove reduções consecutivas pelo colegiado. A notícia atende às expectativas do mercado, que projetaram o índice tendo em vista a mais recente reunião. No mês passado, o Copom não fechou totalmente as portas para novos estímulos, mas afirmou que eles ocorreriam caso houvessem novas informações significativas em relação à inflação e à questão fiscal do país.  De lá para cá, no entanto, apesar das reformas fiscais não terem avançado muito, houve sinalização por parte do governo e do Congresso no compromisso com a agenda com o envio da reforma administrativa.  O mesmo aconteceu em relação à inflação. Apesar de haver aumentos substanciais em alguns produtos, como o arroz, não houve aumento de preço alarmante em produtos chamados de “núcleo”, ou seja, aqueles relacionados a bens e serviços e que não estão sujeitos à volatilidades pontuais.

A interrupção nos cortes já era sinalizada pelo próprio BC. Na última reunião, o Copom deixou aberta a porta para mais ajustes adicionais, mas ponderava o risco fiscal de mais cortes. Em agosto, o colegiado disse que o país já estaria próximo do nível a partir do qual reduções adicionais na taxa de juros poderiam gerar instabilidade nos preços de ativos, como o dólar. Desde então, a alta no preço dos alimentos e também a inflação no atacado entraram no radar. 

Além do mais recente anúncio do Copom, informações sobre o desempenho econômico recente do País também contribuíram para a previsão da manutenção o Copom. Em setembro, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) marcou inflação a 4,34%, índice maior que os 2,52% de agosto. Além disso, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas, no ano o índice acumula taxas de 13,98% e de 17,03% em 12 meses. Por outro lado, porém, o Índice Nacional de Custo da Construção apresentou uma inflação de apenas 0,80% em setembro, abaixo do número de 1,01% em agosto. De acordo com a análise de Silvio Campos Neto, sócio da Tendências, a atual atividade econômica do país, bem como o índice de desemprego que reduzem o consumo, não levam a crer que temos um cenário alarmante de inflação. “Tem chamado atenção nas últimas semanas o movimento de tensão de preços no atacado”, diz ele. “Claro que fica um certo desconforto com o IGPM rodando a 15%, recomendando uma postura um pouco mais cautelosa”, disse.

Apesar da expectativa da manutenção de um juros baixo a longo prazo, vale lembrar que a taxa DI do país está alta, devido ao alto juros cobrado pelo mercado para se investir por aqui diante do risco do país. O Tesouro Direto tem feito muitas captações, aumentando o endividamento público e mantendo no ar uma incerteza sobre até que ponto o governo conseguirá efetivamente cumprir o teto de gastos. Diante disso, a tendência é de novos ciclos de alta no mercado de renda variável.

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