Conhecida pela tranquilidade, Biritiba Mirim registra quatro homicídios em um mês

Casos preocupam moradores, que agora convivem com a insegurança. Polícia afirma que investiga os casos e que população pode aderir ao programa Vizinhança Solidária. Conhecida pela tranquilidade, Biritiba Mirim registra quatro homicídios em um mês
Em menos de um mês, Biritiba Mirim registrou quatro casos de homicídio. A população, acostumada com a tranquilidade do município, agora convive com a insegurança.
Homem morre e pai fica ferido em possível assalto à casa deles, em Biritiba Mirim
Homem é encontrado morto em estrada de Biritiba Mirim, segundo SSP
Foi em um terreno perto de um córrego, no Jardim dos Eucaliptos, que o corpo de Natalina Rosa, conhecida por todos como Nica, foi encontrado. O crime foi no dia 16 de agosto. O corpo semi nu apresentava sinais de violência sexual, além de ferimentos no pescoço e na cabeça.
Jane Moreira Rosa é irmã da Nica e conta que a vítima saiu de casa por volta da meia-noite, sem avisar a família. “Ela não tinha inimigos. Ela sempre saía para tudo quanto é canto. Nunca ninguém fez nada para ela. Ela sempre saía. Saía de noite. Ia para barzinho, bebia. É estranho. Por isso a gente fala que é muito estranho, porque ela não tinha inimigos”, comenta.
O caso da Natalina é uma das quatro ocorrências de homicídios que foram registradas em menos de 30 dias no município. O último crime deste tipo foi na Estrada do Chaparall, no dia 2, quando uma mulher de 57 anos morreu baleada.
O número pode parecer pequeno, mas em uma cidade com 33 mil habitantes esses assassinatos são suficientes para causar muita preocupação para os moradores. “Assusta porque aqui era mais sossegado. Agora você vê, a gente vai vendo casos assim. É assustador”, declara a dona de casa Silvana Moraes.
“A gente sempre sai preocupado, mas hoje em dia a gente sai mais porque tanto faz o horário para eles. De manhã, de tarde, à noite. Não tem horário. A gente não pode facilitar. Nem dentro de casa mais a gente consegue ficar tranquilo”, desabafa a cortadora Tânia Neres Paixão.
A Polícia Militar diz que os casos ainda são investigados pela Polícia Civil e que novas viaturas estão no patrulhamento da cidade desde o começo do ano, como explica o tenente da Polícia Militar Carlos Wanderley Spena.
“Agora é um trabalho mesmo de inteligência, que já está sendo feito para localizar os autores desses casos que aconteceram na cidade”.
E a população também pode ajudar no combate ao crime, afirma o tenente. “A Polícia Militar desenvolve um programa chamado Vizinhança Solidária, que é um programa muito importante desenvolvido em todo o estado de São Paulo. O que consiste ele? É um programa onde as pessoas de terminados bairros policiam suas ruas”.
“Eles verificaram pessoas que não são de habitualidade daquele local, conversam em grupos de WhatsApp para saber o que está acontecendo de anormal. Qualquer coisa que acontecer de atenção, a PM é acionada”, diz.
“Qualquer pessoa que queria integrar a Vizinhança Solidária deve procurara base da Polícia Militar em Biritiba Mirim, Guararema ou, até mesmo, em Mogi das Cruzes, para que isso seja ampliado”, completa Spena.
No caso de feminicídio da Nica, a família dela ainda aguarda por informações da Polícia Civil. Ninguém foi preso. “A gente só quer justiça. Que encontrem o assassino que fez isso. Coitada, ela não merecia uma morte assim. Ela era uma pessoa boa”, conclui Jane.
Sobre o assassinato da mulher na Estrada Chaparall, a Delegacia de Homicídios de Mogi das Cruzes informou que abriu inquérito e apura os fatos. Já sobre os outros três casos, a Secretaria de Segurança Pública (SSP), em nota, disse que estão sendo investigados também pelo setor de homicídios.
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