Muitas pessoas já pensaram em pegar o carro e sair viajando rumo ao desconhecido, mas logo deixaram a ideia de lado. Não foi o caso do casal gaúcho Carina Furlanetto e João Paulo Mileski, ambos com 32 anos, responsáveis pelo perfil  Crônicas na Bagagem no Instagram, onde mostram como foi sua viagem pela América do Sul.

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O casal cruzou 10 países e agora espera conhecer todo o Brasil

Eles começaram pensando em viajar para o Uruguai de carro em 2015. O plano cresceu e acabou se tornando uma expedição por dez países, feita em 2018. “Carina pediu demissão do emprego como repórter e eu fui demitido do trabalho quatro meses antes da viagem. Nós largamos nossos cursos superiores também, eu em Filosofia e ela em Psicologia”, conta João.

Assim eles começaram as preparações para a grande viagem. “Chegamos a pensar em comprar uma kombi ou trocar de carro, mas como não entendemos nada de mecânica, pensamos em ir com o Sandero mesmo”, conta Carina.

Como o planejamento foi um pouco rápido, o casal somou o que tinha nas poupanças. Eles estipularam um gasto diário de R$100,00 por dia para ficar na estrada por até dois anos, dividindo este gasto entre alimentação, passeios, manutenção e hospedagem.

“Nosso maior desafio era a hospedagem, por isso passamos 168 dias da viagem dormindo no carro, sem adaptação alguma. Muitas noites dormíamos por meio de couchsurfing, em casas de quem nos acompanhava nas redes sociais, fazíamos permuta… Até em Corpo de Bombeiros dormimos, na fronteira da Colômbia com a Venezuela”, conta João.

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No perfil Crônicas na Bagagem o casal conta como foi a jornada e dá dicas de viagem

Em alguns lugares o Sandero não chegava. Por issoo casal teve que pagar por hospedagem em três lugares: Águas Calientes, no acesso a Machu Picchu e em Iquitos, no Peru, a maior cidade sem acesso terrestre do mundo. “Também dormimos em muitas redes, cruzando rios no Peru e no Brasil”.

O carro não foi adaptado, a viagem inteira foi feita com as peças originais. “Agora que voltamos, um casal que trabalha com design e marcenaria está nos ajudando a adaptar o carro. Retiramos os bancos de trás e fizemos baús que servirão como bagagem e cama. Assim poderemos dormir retinhos como em uma cama de verdade”.

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O carro não foi adaptado, então alguns perrengues aconteceram

Eles contam que apesar de ser 1.0 o carro deu conta de fazer todo o percurso, apesar de alguns pequenos imprevistos.”Nos preocupamos em fazer manutenções preventivas. Então a cada 10 mil km fazíamos uma revisão básica. Tivemos alguns problemas, mas nada que nos deixasse empacados. Só na Bolívia que tivemos que empurrar o carro porque a combinação bateria velha, altitude e combustível fraco para carros 1.0 nos atrapalhou.Mas trocamos a bateria no Peru e deu tudo certo”, diz João.

Claro que andar por essas altitudes e por estradas lamacentas poderia causar algum dano ao carro, já que ele não é um 4×4. Porém, os viajantes asseguram não houve nada dramático.”Mas em todos os lugares icônicos que fomos o carro estava junto. Até no Salar do Uyuni, na Bolívia, dirigimos por 150 quilômetros no sal”.

A viagem também trouxe outro tipo de convivência para o casal. “Sempre tem atritos e situações extremas. Isso gera discussões, mas por outro lado acabou nos unindo ainda mais, pois dividimos momentos maravilhosos – e também os perrengues. Se o casal não está muito bem estruturado uma viagem pode acabar com um relacionamento, mas no nosso caso uniu muito mais”, diz Carina.

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Após terminar a viagem pelo Brasil eles pretendem ir até o Alasca, e, quem sabe, até dar a volta ao mundo

A nova aventura, viajar pelo Brasil, teve que ser interrompida por causa do coronavírus. “Nós estávamos no Maranhão quando a pandemia chegou ao Brasil, tivemos que mudar os planos. Conhecemos apenas Roraima, Amazonas, Pará, Amapá e parte do Maranhão. Para esperar a pandemia passar, ficamos de quarentena em Recife, na casa da irmã de Carina”, diz. Depois de 18 dias, o casal viu a seriedade da pandemia e resolveram voltar para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

“Cruzamos 3.600 quilômetros com o Sandero para voltar para casa e esperar a pandemia passar. Não tivemos contato com ninguém na volta. Dormíamos em postos de combustíveis e cozinhávamos dentro do carro – usamos uma panela elétrica – com o que levamos de estoque. Tomamos banho apenas uma vez, em um posto, também para evitar ficar entrando nos lugares”, conta.

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O carro tem algumas marcas de arranhado, o para-choque se rompeu e alguns detalhes de muito uso de levantar e abaixar os bancos

Na volta para casa, João e Carina passaram por muitos locais que queriam ter visitado, aondo pretendem voltar quando a situação estiver melhor. “Assim que tudo passar iremos retomar a viagem e conhecer o que faltou, os 22 estados e o DF, tudo com segurança”, diz.

Com a pausa deu pra guardar o dinheiro para as próximas viagens. “Estamos na casa dos pais da Carina, para economizar o máximo de tempo possível. Para gerar mais receita, criamos uma loja online e estamos escrevendo um livro todos os nossos momentos e 81 histórias inéditas, com diários que escrevemos ao longo da viagem”.