Com 27 dias de umidade do ar abaixo de 20%, Campinas tem inverno mais seco em três anos


Dados do Instituto Agronômico mostram que cidade teve maior período de seca desde 2017. Pesquisadora destaca escassez de frentes frias como causa. Campinas (SP) entrou em estado de alerta por conta da umidade durante 27 dias entre junho e setembro
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
Campinas (SP) teve, em 2020, o inverno mais seco dos últimos três anos. De acordo com um levantamento do Instituto Agronômico (IAC), a pedido do G1, a metrópole registrou no período pelo menos 27 dias com umidade relativa do ar abaixo dos 20%, maior intervalo desde 2017, quando a cidade passou 30 dias nesta faixa durante a estação mais fria do ano.
O balanço do instituto ainda apontou que, nos 27 dias, a umidade do ar em Campinas variou entre 12% e 20%, o que fez a cidade entrar em estado de alerta. O período mais crítico do inverno, que começou no dia 20 de junho e termina nesta terça-feira (23), foi registrado entre 12 e 17 de setembro, com índices de 12,4%, próximo do estado de emergência (abaixo de 12%).
Ainda segundo os dados do IAC, a cidade esteve na maior parte do tempo – 38 dias – em estado de atenção, com umidade entre 20% e 30%. Além disso, passou 34 dias com índices entre 30% e 50%, e apenas 15 no percentual ideal considerado por especialistas, que é acima dos 50%. Veja nos gráficos abaixo os dados consolidados até segunda-feira (21) e a comparação com outros anos:
Estiagem e altas temperaturas como responsáveis
No levantamento, o Instituto Agronômico reforçou ainda que a baixa umidade está diretamente ligada à falta de chuva nestes quatro meses e também às altas temperaturas, mesmo durante o inverno.
Em relação à falta de chuvas, os dados do IAC mostram que, dentro do período dos últimos três anos, 2017 foi o que apresentou a menor precipitação, com 86, 2 milímetros acumulados entre junho e setembro. [Veja abaixo a distribuição em cada ano].
Já neste ano, o índice de precipitação ficou em 140, 8 milímetros até esta segunda-feira, com maior quantidade de chuva em junho (85 milímetros).
O último registro de chuva mais volumosa neste ano foi de 7mm no dia 21 de agosto, durante uma onda de frio devido a uma massa polar que afetou vários estados do Brasil. Pouco depois, o forte calor se estabeleceu.
Até o fim de agosto, o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp registrou 30% menos do que o esperado de precipitações em um ano.
Chuva mais volumosa caiu em Campinas (SP) pela última vez no dia 21 de agosto
Patrícia Teixeira/G1
A onda de calor mais forte do ano até então chegou exatamente no início de setembro, nos dias finais do inverno. De acordo com o Cepagri, o mês teve sua primeira quinzena mais quente da história desde que as medições começaram a ser feitas pelo Centro de Pesquisas, em 1990.
Além disso, setembro foi responsável por registrar a temperatura mais alta de 2020: 35,6ºC no dia 12 de setembro, justamente em um dos dois dias mais críticos em relação à umidade, como citado anteriormente.
O calor registrado neste mês chegou a ser motivo de alerta divulgado pela Defesa Civil no último dia 9, que previu risco dos termômetros marcarem até 40ºC na região.
Pesquisadora do IAC, Angelica Prela Pantano destacou que os fatores de estiagem e altas temperaturas prevaleceram devido à escassez de frentes frias durante o inverno. Ela explicou também por que elas não chegaram com muita frequência em Campinas.
“Neste ano a gente teve pouquíssimas frentes frias entrando durante o inverno. Então, a massa de ar fica mais seca e mais quente, fazendo com que a gente tenha a umidade do ar muito baixa, e as temperaturas mais elevadas. As frentes frias dependem de massa de ar para chegar, principalmente o vento. Quando já tem uma massa quente no local, se a massa [de ar] vem com pouca intensidade, ela se dissipa para o oceano”, disse.
Com a chegada da primavera, Angelica acredita que o cenário possa melhorar, já que mais chuvas devem chegar na região.
“Temos previsões do retorno da chuva a partir do final de setembro e primeira quinzena de outubro, quando a gente tem previsão de uma chuva de maior volume, e a tendência é isso aumentar até o final do ano”, ressaltou.
Cuidados
Os alertas emitidos pela Defesa Civil durante os dias mais secos vêm acompanhados de algumas medidas e cuidados para amenizar os efeitos da baixa umidade. São eles:
Umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas e recipientes com água.
Sempre que possível, permanecer em locais protegidos do sol, em áreas vegetadas.
Consumir bastante água.
Suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 16h.
Evitar aglomerações em ambientes fechados.
Usar soro fisiológico para olhos e narinas.
Mais informações podem ser obtidas pelo site da Defesa Civil ou pelo telefone 199.
*sob a supervisão de Marcello Carvalho
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