Clínica de BH nega acusação de negligência de familiares de jovem que morreu após cirurgia: ‘Todo socorro foi prestado’


Segundo a assessoria de imprensa da clínica, causa da morte da cabeleireira de 20 anos foi embolia pulmonar. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte da paciente.
Arquivo Pessoal/ Silvana Mota Pereira
A clínica Belíssima, onde a cabeleireira de 20 anos Edisa de Jesus Soloni fez cirurgia plástica horas antes de morrer, disse nesta terça-feira (15) que a causa da morte da jovem foi embolia pulmonar e que todo socorro foi prestado em tempo hábil (leia as notas na íntegra ao final da reportagem).
A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar as causas da morte.
A assessoria da clínica enviou ao G1 documentação que comprova que o local tem autorização para realizar este tipo de cirurgia. Em nota, disse que a clínica arcou com o deslocamento de Edisa, consciente, para o hospital Felício Rocho.
“Não houve demora no atendimento”, disse o comunicado da clínica.
Segundo a empresa, a paciente entrou na sala de cirurgia às 14h de sexta-feira (11) e a operação durou cerca de uma hora e meia. Edisa começou a passar mal às 18h no quarto. Foi levada para o hospital às 19h e morreu na madrugada do sábado (12).
Também segundo nota divulgada, o médico cirurgião plástico responsável pelo procedimento é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e exigiu todos os exames pré-operatórios, que mostraram que a paciente tinha condições de passar pelo procedimento.
A prima da cabeleireira, Silvana Mota Pereira, disse que o exame de risco cirúrgico mostrou que Edisa tinha uma mancha no coração e que só fez a cirurgia na clínica porque o médico disse a ela que o local tem estrutura de hospital.
“Quando ela acordou sentindo dor e falta de ar só tinha uma enfermeira na clínica, que ligou para o médico e recebeu orientações por telefone. Não tinha ambulância, nem Centro de Terapia Intensiva (CTI). Minha prima precisou esperar para receber o socorro e ser transferida”, disse Silvana.
A assessoria da clínica respondeu que o risco cirúrgico foi liberado por um cardiologista e um anestesista e que a paciente não teve complicação cardíaca. A clínica também negou que ela tenha passado por três cirurgias, como disse familiar da jovem.
“Alguém ligado à paciente está falando em três cirurgias. Isto não procede. Ela fez lipoescultura. A Belíssima é um hospital-dia e tem estrutura para o tipo de procedimento que a paciente passou”, disse o comunicado da clínica.
A assessoria de imprensa da clínica detalhou que “hospital-dia” é um “tipo de estabelecimento médico autorizado para exercer atividades de atendimento hospitalar, exceto pronto-socorro e unidades para atendimento a urgência. Atua com centros cirúrgicos e está autorizado a fazer o tipo de cirurgia que ela fez. No caso de ter uma intercorrência médica , uma urgência, o hospital-dia tem como obrigação encaminhar para um hospital de pronto-socorro. Que foi o que foi feito”.
Relembre o caso
Polícia investiga morte de jovem em BH, após procedimentos cirúrgicos
Edisa de Jesus Soloni morreu horas depois de fazer cirurgias plásticas na clínica Belíssima Cirurgia Plástica, que fica no bairro Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, no dia 11 de setembro.
Na tarde desta segunda-feira (14) familiares e amigos da vítima fizeram protesto na porta da clínica. Eles alegam que o médico foi negligente e não prestou assistência à família.
Familiares e amigos de Edisa protestam na porta da clínica no bairro Savassi, na Região Centro-Sul de BH
Arquivo pessoal/ Silvana Mota Pereira
Leia a íntegra das notas da clínica
Primeira nota:
“O Hospital Dia esclarece, primeiramente, que possui alvará da Secretaria Municipal de Saúde para a realização de cirurgias plásticas, o que pode ser comprovado por meio de documentação. Inclusive, o local funciona como um Hospital – Dia, tendo toda a infraestrutura necessária para internações de até 24 horas.
O médico cirurgião plástico responsável pelo procedimento é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e exigiu todos os exames pré-operatórios, que mostraram total condição da paciente em passar pelo procedimento.
Diante das complicações inesperadas, todas as medidas necessárias foram realizadas em tempo hábil, transferindo a paciente consciente e alerta para o Hospital Felício Roxo [Hospital Felício Rocho].
Informamos também que qualquer cirurgia, de pequeno ou grande porte, envolve risco cirúrgico, mesmo com pacientes totalmente saudáveis.
Prestamos nossas condolências aos familiares e nos colocamos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.”
Segunda nota:
“Lembrando que a causa da morte foi embolia pulmonar e que todo o socorro foi prestado pela Belíssima que arcou com deslocamento para um hospital particular e chamou a ambulância para prestar o socorro necessário.
Não houve demora no atendimento.
Segundo dados registrados na clínica a paciente entrou na sala de cirurgia às 14 horas de sexta-feira, a operação durou 1 hora e 30, começou a passar mal às 18 horas no quarto. Foi levada para o hospital às 19 horas e veio a óbito no hospital na madrugada de sábado.”
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