Cláudio Castro muda secretário da Polícia Civil e mais três pastas no Rio

O Governo do Rio de Janeiro anunciou, na noite desta segunda-feira, 14, quatro mudanças no comando das secretarias estaduais, que serão publicadas no Diário Oficial do estado amanhã.

De acordo com informações da assessoria do governador interino, na Polícia Civil, que estava sob o comando do delegado Flávio Brito, assume Allan Turnowski. Na Procuradoria-Geral do Estado, Bruno Dubeux substitui Reinaldo Silveira.

A Controladoria-Geral do Estado, antes liderada por Hormindo Bicudo Neto, será comandada por Francisco Ricardo Soares. O delegado federal Marcelo Bertolucci assume o Gabinete de Segurança Institucional, que até então era chefiado pelo contra-almirante José Luiz Corrêa.

Troca esperada na Polícia Civil

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A troca na pasta da Secretaria da Polícia Civil já era esperada, conforme antecipou VEJA na última sexta-feira, 11.

O nome de Turnowski começou a ser ventilado na última sexta-feira e ganhou força ao longo do final de semana nos bastidores da Polícia Civil. A reportagem apurou que outros dois policiais também estavam sendo cotados para a pasta: o delegado Marcos Cipriano, amigo de Castro e de Turnowski, e Rodrigo Teixeira de Oliveira, ligado ao clã Bolsonaro, ex-chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e hoje consultor da presidência da Petrobras.

Mas o governador em exercício bateu o martelo e decidiu convidar Turnowski para a Secretaria da Polícia Civil nesta segunda-feira. A escolha também teve o aval do senador Flavio Bolsonaro (Republicanos), que vem acompanhando de perto as mudanças na alta cúpula do poder fluminense.

Turnowski tem bom trânsito entre deputados estaduais bolsonaristas. Em outubro do ano passado, o deputado estadual Anderson Moraes (PSL), integrante da tropa de choque do bolsonarismo, concedeu a Medalha Tiradentes ao agora novo Secretário da Polícia Civil na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Trata-se da honra mais alta concedida pela casa.

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Ele foi chefe de polícia entre 2010 e 2011. Sua carreira, contudo, foi marcada por uma polêmica em 2011, quando a Operação Guilhotina foi deflagrada e prendeu 30 policiais por suspeita de corrupção e envolvimento com o jogo do bicho, milícia e traficantes. Dentre os presos à época estava o braço-direito do delegado, Carlos Oliveira, que foi absolvido no processo. Turnowski foi indiciado por violação de sigilo profissional, mas o Ministério Público do Rio não o incluiu na denúncia.

Devido ao desgaste, ele acabou deixando o cargo que, em seguida, foi preenchido pela delegada Martha Rocha – hoje candidata à Prefeitura do Rio pelo PDT.

Turnowski se afastou dos quadros da Polícia Civil no ano seguinte. Estava lotado na Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) em um cargo de monitoramento e combate a fraudes. Ficou oito anos distante, mas retornou ao corpo policial em 2019, no começo da gestão do governador afastado Wilson Witzel (PSC). Até o anúncio do seu nome hoje, ele chefiava o Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), que administra todas as delegacias da cidade do Rio.

Ele também voltou aos holofotes no ano passado na época da prisão de Ronnie Lessa, policial reformado que é réu pelo duplo homicídio da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes. Conforme mostrou VEJA, mensagens de Whatsapp encontradas no celular de Lessa apontavam para uma relação entre ele e Turnowski.

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“Dr. Allan manda um abraço”, dizia uma das mensagens, enviadas pelo inspetor Vinícius Lima, amigo de infância de Lessa. Em outro momento, o policial diz que “dr. Allan” perguntou por Lessa. Em um terceiro contato, Vinícius Lima diz que tem uma “proposta boa de trabalho” para Lessa.

À época Turnowski se justificou: afirmou não ter qualquer relação pessoal com o suposto executor, e que, por ter sido chefe da corporação, conhece muitos policiais. “Operacionalmente, ele (Lessa) sempre foi reconhecido como um cara muito bom”, declarou.

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