Cidade americana vai pagar US$ 12 milhões à família de Breonna Taylor, morta por policiais

A profissional de saúde, de 26 anos, foi morta dentro de casa, de madrugada, por três policiais brancos à paisana. Polícia acreditava que o apartamento era um ponto de venda de drogas. Cidade americana vai pagar US$ 12 milhões à família de Breonna Taylor, morta por policiais
Nos Estados Unidos, a cidade de Louisville, no Kentucky, vai indenizar a família da cidadã negra Breonna Taylor, morta a tiros por um policial branco em março deste ano.
Ela virou um ícone e seu nome ecoa nas ruas de todos os Estados Unidos. No dia 13 de março, a profissional de saúde Breonna Taylor, de 26 anos, foi morta dentro de casa, de madrugada, por três policiais brancos à paisana. A polícia acreditava que o apartamento era um ponto de venda de drogas.

Breonna teve um relacionamento de idas e vindas com Jamarcus Glove, que, em agosto, foi preso por tráfico. Mas, segundo a família, no dia da operação policial, essa relação já tinha acabado.

Breonna estava vendo um filme com o namorado, Kenneth Walker. Ele contou que alguém bateu agressivamente na porta, que eles perguntaram quem era e não tiveram resposta.

Os policiais afirmam que se identificaram. Quando viu a porta sendo arrombada, Kenneth disparou e a polícia respondeu com vários tiros. Cinco acertaram Breonna, que não resistiu.

O policial que atirou foi demitido em junho. Os outros dois estão fazendo trabalhos administrativos. Nenhum dos três foi formalmente acusado de nenhum crime, mas a procuradoria do estado e o FBI continuam investigando o caso.

Nesta terça (15), o prefeito de Louisville, no Kentucky, informou que a família de Breonna vai receber uma indenização de US$ 12 milhões. E anunciou reformas na polícia. Parentes e ativistas cobraram a prisão dos policiais.
Os protestos diários pedindo justiça para Breonna Taylor em Louisville já duram mais de três meses. Mas o dia que mais chamou a atenção foi 5 de setembro.
A equipe de reportagem da TV britânica ITV entrevistou um homem, Angry Viking, ou Viking Bravo. O nome verdadeiro é Dylan Stevens. Ele é líder de um grupo fortemente armado e afirma que está ali para manter a paz e que defende o diálogo.
Mas a ITV registrou discussões acaloradas com os manifestantes do movimento Black Lives Matter, Vidas Negras Importam. Existem centenas de milícias como essa no país. Elas são legais em grande parte dos estados americanos, onde é permitido o porte ostensivo de armas, e se escoram na segunda emenda da Constituição americana, que diz: “uma milícia bem regulada, sendo necessária para a segurança de um estado livre, o direito das pessoas de manter e portar armas não deve ser infringido”.
Mas o historiador Mark Pitcavage diz que a Constituição, escrita há mais de 200 anos, na verdade se refere ao que hoje seria a Guarda Nacional.
Ele afirma que milícias como essa das ruas de Louisville são de extrema-direita, antigoverno e começaram a surgir nos anos 1990.
“As milícias se formaram a partir da ideologia de que o mundo estava sob o controle de um governo único, globalista, tirano e socialista. Os integrantes das milícias acreditavam que precisavam se armar ou seriam escravizados”, explica.
O movimento antigoverno se expandiu muito após a eleição de Barack Obama, com dezenas de milhares de integrantes.
Segundo o historiador, Donald Trump foi o primeiro candidato de um grande partido que eles apoiaram na história. Mark esclarece também que existem outros grupos de civis armados, em número muito menor, que defendem outras ideologias.
O que vem chamando mais a atenção surgiu este ano e também estava no dia 5 de setembro ocupando as ruas de Louisville. Uma milícia exclusivamente negra.
O grupo se identifica pela sigla NFAC, que significa algo como “não estamos de brincadeira”.
O líder, escoltado fielmente pelos seus seguidores, é conhecido como Grandmaster Jay e defende que os Estados Unidos devem se tornar uma nação negra.
Num vídeo, de julho, ele discursa para uma audiência predominantemente negra em Louisville: “Há anos somos vítimas do sistema judicial e de uma polícia que ainda trabalha para caçar escravos fugidos. E não precisa trazê-los vivo, apenas trazê-los de volta.”

A reportagem da TV britânica também mostrou que David Mour estava armado nas ruas de Louisville.
Nesta terça (15), em entrevista ao Jornal Nacional, David contou que é advogado de direitos civis. Ele explicou que o porte de armas é legal no estado do Kentucky e afirmou que naquele dia 5 de setembro a cidade foi tomada por agitadores vindos de fora que só querem causar problemas.
A campanha de reeleição do presidente Donald Trump defende que cidades comandadas por políticos do Partido Democrata, como é o caso de Louisville, estão tomadas pelo caos e que só ele é capaz de restabelecer a lei e a ordem. A um mês e meio das eleições, a preocupação dos especialistas com quem o Jornal Nacional conversou é que essa polarização e a tomada das ruas por milícias armadas possam provocar um acerto de contas caso um dos lados não concorde com o resultado das urnas.

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