“Ciclone bomba” no Sul pode causar mais estragos hoje – entenda o fenômeno

Corpo de bombeiros em Santa Catarina após ciclone: desabamento de árvores levou a pelo menos uma morte no estado (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina/Divulgação)

O ciclone bomba que fez estragos em algumas áreas da região Sul ontem pode continuar causando ventos fortes na região nesta quarta-feira, 1. O ciclone hoje está em processo de deslocamento para o oceano, mas, até o fim da tarde, ainda há chance de haver novas rajadas fortes de vento.

Os ventos fortes também chegam a estados como São Paulo e Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira. O ciclone em si, que já avança para o litoral, não chegou à região Sudeste, mas os ventos são parte dos efeitos da frente fria que foi intensificada por ele.

Na terça-feira, 30, na capital paulista, foram registrados ventos de mais de 50km/h, e mar revolto no litoral. O ciclone também foi responsável por fazer cair as temperaturas.

O mar deve seguir agitado e com ondas que, no Sul, podem passar de quatro metros. A recomendação é que moradores das regiões afetadas evitem o mar, que deve ficar mais revolto.

Na terça-feira, o ciclone causou ventos de mais de 100km/h em cidades Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul (veja vídeos dos moradores). Os ventos derrubaram árvores e geraram até explosões no sistema de energia elétrica, além de chuvas fortes.

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Segundo a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) do Rio Grande do Sul, só no estado chegou a haver mais 700.000 pontos sem luz por causa do ciclone. Segundo atualização das 14 horas desta quarta-feira, os pontos sem luz caíram para 430.000. Empreendimentos como bares e restaurantes também registraram nas redes sociais imagens de danos nos locais.

Ao menos dez pessoas morreram por causa dos efeitos do ciclone, como queda de árvores, desabamentos e ao serem atingidos por fios de alta tensão. Foram nove vítimas em Santa Catarina e uma no Rio Grande do Sul, segundo boletim das autoridades locais.

O que é o ciclone bomba no Sul

Ciclones extratropicais como o que atinge a região Sul são resultado de baixa pressão atmosférica e são relativamente comuns. No geral, eles cruzam regiões continentais (como aconteceu nos estados do Sul) até chegarem ao oceano, onde perdem força.

“Um ciclone é uma região de baixa pressão atmosférica. Quando a pressão atmosférica cai bruscamente em um período curto de tempo, é quando chamamos de ciclone bomba”, diz Marcia Seabra, meteorologista e coordenadora-geral de Metereologia Aplicada Desenvolvimento e Pesquisa no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Já as frentes frias causadas pelo ciclone são também resultado das chuvas que o fenômeno gera. Seabra diz ainda que, após a frente fria — que separa massas de ar frio e quente –, uma massa de ar frio deve chegar às regiões Sul e Sudeste nos próximos dias. O movimento fará com que as temperaturas caiam ainda mais a partir de quinta-feira e até o fim de semana.

Este ciclone bomba no Sul saiu do Paraguai, onde um sistema de baixa pressão atmosférica começou a ser gerada na madrugada de terça-feira, diz Seabra. “Conforme ele foi se deslocando, e a pressão foi caindo cada vez mais, favoreceu uma frente fria na região Sul”, diz a meteorologista.

Há ainda uma chance remota de que haja neve — na prática, chuva congelada — nas serras gaúcha e catarinense, devido também à alta umidade que ficou nesses locais. Mas Seabra afirma que a chance diminuiu porque o ciclone, na tarde desta quarta-feira, já havia se “afastado bastante” da região Sul.

Quando o ciclone chega ao oceano, o mar também segue agitado, o que deve acontecer hoje e nos próximos dias não só na região Sul mas em outras faixas do litoral brasileiro no Sul e no Sudeste, como em São Paulo e Rio de Janeiro.

Ciclone chegando em Florianópolis! Vídeo feito no bairro do João Paulo. #ciclone #SantaCatarina @nsctvoficial pic.twitter.com/ZDv19mKdDA

— Camille Casarini (@camillepc) June 30, 2020

A chegada do ciclone já estava prevista por serviços de monitoramento, que emitiram na terça-feira um alerta para os três estados da região Sul. Outro ciclone desse tipo já havia atingido o Rio Grande do Sul há cerca de um mês, mas, naquela ocasião, foi mais fraco — os efeitos foram parecidos com os que São Paulo teve dessa vez, com queda de temperatura.

*A reportagem foi atualizada na tarde de quarta-feira, 1, para incluir as novas previsões sobre o ciclone.

COM AGÊNCIAS

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