CHUVA não alivia e cresce risco de colapso no abastecimento de água

A tempestade que atingiu a capital catarinense, no bojo do chamado ciclone-bomba ocorrido no final de junho, e as sucessivas chuvas de média intensidade que vieram na sequência, até pelo menos meados de julho, não atenuaram o drama do abastecimento do Sul da Ilha. Principal reservatório para atendimento da região, o manancial da Lagoa do Peri (foto) registrou pouca evolução e já se encontra praticamente nos mesmos níveis críticos registrados no período que precedeu às chuvas.
Com isso, o aquífero do Campeche, que até há poucos anos estava praticamente intacto, já responde por 40% da água que abastece as Costas Sul e Leste da Ilha, alcançando Lagoa da Conceição e até Barra da Lagoa. Alguns acreditam inclusive que esse volume seria ainda maior, chegando a metade da água que atende mais de 70 mil consumidores nessas regiões.
Além de revelar um drama que tende a ser crônico para a região a médio e mesmo curto prazo, impondo uma nova política de manejo do insumo, o fenômeno evidencia mais uma vez o nítido descompasso entre o extremo crescimento da região e a capacidade de abastecimento do atual sistema de água. Desde as longas discussões do plano diretor, lideranças comunitárias da região já alertavam para os limites de crescimento do Sul da Ilha por meio de estudos técnicos, que agora começam a se cristalizar.
“Temo que água da Lagoa do Peri possa estar abastecendo até mesmo o Rio Vermelho, por meio da conexão com a Barra da Lagoa”, acredita o ex-delegado-distrital do Campeche no extinto Plano Diretor Participativo, Ataíde Silva. O ativista local critica também o estado de abandono de mananciais menores existentes no Sul da Ilha, na Cachoeira do Rio Tavares e outros, que poderiam reforçar o sistema regional.
Outros alertam também para o desperdício recorrente de milhares de litros, durante a execução de inúmeras obras de fundações e garagens em prédios da região, sem qualquer fiscalização ou penalização.  O ex-presidente da Casan e atual secretário de Infraestrutura municipal, o engenheiro Valter Galina, garante que a concessionária está sendo cobrada sobre a delicada situação do sistema de abastecimento regional.
“Já cobramos da Casan para que apresente uma solução para o Sul da Ilha; queremos uma posição definitiva sobre as ações para resolver o problema”, afirmou. “Está na hora da Prefeitura assumir o protagonismo dessa questão”, corrobora o presidente do Conselho de Desenvolvimento do Sul da Ilha (Codesi), Sérgio Aspar. O descompasso entre capacidade de fornecimento e consumo pode desencadear a médio, ou até mesmo curto prazo, a necessidade de racionamento.
O mantra da companhia costuma ser a estiagem severa que vêm castigando o estado ciclicamente nos últimos anos, embora prometa ações para desafogar o sistema. Uma delas seria por meio da interligação com o sistema Ilha, permitindo o ingresso na região de água oriunda dos mananciais de Pilões e Cubatão, em Santo Amaro da Imperatriz, que abastecem as demais regiões da cidade. Outra iniciativa, essa prometida há quase três anos e nunca concretizada, é a integração da Costa Leste ao Norte da Ilha, restringindo o uso da água da Lagoa do Peri ao Sul da Ilha.

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