Celso de Mello coloca Bolsonaro em sinuca de bico

Nessa última sexta-feira, 11, o decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso Mello, determinou que Jair Bolsonaro preste depoimento presencial no Inquérito 4831, que apura se houve interferência do presidente da República na Polícia Federal.

Conforme Celso de Mello, depoimentos por escrito só seriam garantidos aos chefes de poderes da República que sejam ouvidos na condição de vítima ou testemunha em processo, conforme a prerrogativa estabelecida no art. 221, § 1º, do Código de Processo Penal – CPP.

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Bolsonaro, como bem sabemos, encontra-se como investigado no aludido inquérito.

O ministro Celso de Mello também autorizou, nessa mesma decisão, que a defesa de Sergio Moro possa acompanhar a audiência, fazendo perguntas (e reperguntas) ao presidente investigado.

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Trata-se de uma tremenda sinuca de bico para Bolsonaro, pois se tentar evitar o interrogatório presencial, passará a clara impressão de que está fugindo de um confronto com Sergio Moro, o que não ficaria nada bem para um capitão do Exército Brasileiro, até mesmo para aquele que tenha em seu histórico de “bravura”, somente combates nos campos de batalha por aumentos de soldo e de benefícios de viés classista.

Por outro lado, se aceitar comparecer, correrá sério risco de se enrolar nas respostas ao rol de perguntas a serem elaboradas pelos delegados que conduzem a investigação, isso sem falar nas intervenções dos advogados que representam o ex-Ministro Moro.

Mas, enfim, o que podemos esperar, em termos de retidão e coerência, de um presidente que, nos últimos dias, incentivou congressistas a derrubarem o seu próprio veto, no projeto de lei que perdoaria as dívidas das igrejas?

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