Casos da Covid-19 aumentam no interior da Bahia após São João

Na noite de 23 de junho, véspera de São João, não teve festa, forró, nem bandeirolas nas praças por causa da pandemia do novo coronavírus.

Mesmo assim, muitas famílias mantiveram a tradição do reencontro: acenderam suas fogueiras e reuniram-se em comunidades rurais, sítios e casas nas cidades do interior da Bahia durante o período junino.

O resultado foi uma explosão de novos casos da Covid-19 em pequenas cidades do interior da Bahia. Dados da secretaria de Saúde da Bahia, apontam que pelo menos 14 cidades tiveram um crescimento acima de 1.000% dos casos do novo coronavírus entre os dias 23 de junho e 07 de julho.

Outros 178 municípios tiveram avanço de novos casos entre 100% e 1000% no mesmo período, quando a média de crescimento total foi de 87,3% na Bahia e 45,6% no Brasil. A maioria destas cidades é pequena e não tem infraestrutura para atendimento de pacientes graves da Covid-19.

“Tivermos um crescimento [dos casos da Covid-19] em muitas cidades da Bahia com taxas bastante expressivas após o São João”, afirmou o governador Rui Costa (PT) em entrevista à imprensa.

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Prefeitura de Lençóis (BA) intensifica medidas sanitárias após explosão de casos de Covid-19 depois do São João

Ele disse ter ouvido relatos semelhantes de dezenas de prefeitos, no qual apenas uma pessoa que estava infectada com o novo coronavírus contaminou toda ou quase toda a família após encontros no período junino.

O avanço dos casos no São João aconteceu a despeito do governador ter emitido um decreto que proibiu festejos e aglomerações no período junino e do feriado estadual do dia 24 de junho, dia de São João, ter sido antecipado para maio.

Nas cidades que tradicionalmente abrigam maiores festas de São João da Bahia, caso de Amargosa, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim e Santo Antônio de Jesus, houve um avanço no número de casos e no ritmo de disseminação da doença.

Em Amargosa, mesmo com o cancelamento dos festejos, o número de casos da Covid-19 saiu de 25 no dia 23 de junho para 98 nesta quarta-feira (15). A média de novos casos, que era de três por semana, saltou para seis por dia, conforme explica o prefeito Júlio Pinheiro (PT).

A prefeitura reforçou as barreiras sanitárias nas quatro estradas da cidade durante o período junino. Mas muita gente burlou a fiscalização entrando na cidade por vias alternativas, pela zona rural.

“A gente já previa uma movimentação maior porque, apesar de não ter festa, permanece a tradição das pessoas visitarem a família e retornarem ao interior. Tivemos registro de algumas aglomerações, principalmente nas comunidades rurais”, afirma o prefeito.

Diante do avanço da Covid-19, a prefeitura decertou toque de recolher noturno e durante os finais de semana. Nesta segunda-feira (13), foi decretado isolamento social rígido por dez dias. “A intenção é frear na curva de contaminação”, diz Pinheiro.

A situação é semelhante em outras cidades com tradição junina. Mesmo sem festas nas praças, as cidades como Cruz das Almas e Senhor do Bonfim registraram aglomerações, sobretudo nas “guerras de espadas”, prática na qual grupos soltam fogos de artifício entre si nas ruas da cidade.

A região da Chapada Diamantina foi uma das mais atingidas pelo avanço da Covid-19, com o aumento do número de contaminados em cidades como Lençóis, Iraquara e Souto Soares. O mesmo aconteceu em pequenas cidades do sertão baiano como Sítio do Quinto, Ourolândia, Várzea Nova e Capela do Alto Alegre.

Principal destino turístico da Chapada Diamantina, a cidade de Lençóis não tinha nenhum caso confirmado do novo coronavírus até 23 de junho. Nesta quarta-feira, já eram 70 pessoas com a doença, incluindo 17 funcionários da prefeitura e prefeito Marcos Ailton (Republicanos).

A prefeitura instalou barreiras sanitárias nas entradas da cidade desde o dia 21 de março. Mas registrou um movimento de acima do normal nas últimas semanas. Apenas no período do São João, cerca de 100 pessoas entraram na cidade, dentre familiares e amigos de moradores.

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Barreira sanitária criada pela prefeitura de Lençóis (BA), após explosão de casos de Covid-19

O resultado foi que o isolamento social caiu e o movimento nas ruas aumentou nas ruas mesmo sem a realização da festa de São João, resultando em uma explosão de novos casos da Covid-19.

“O crescimento foi muito rápido, a população está em pânico”, afirma o prefeito Marcos Ailton. Ele intensificou a testagem no município, fez a desinfecção de ruas e prédios públicos e agora preparam um decreto de isolamento rígido para a cidade.

A maior preocupação é que aconteçam possíveis casos graves da doença. A cidade não possui leitos públicos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e terá que transferir pacientes para o Hospital Regional da Chapada, em Seabra, cidade que fica a 71 quilômetros.

Para agravar a situação, a cidade está com todas as suas ambulâncias quebradas. Nesta terça-feira, o prefeito tomou emprestada a ambulância da prefeitura de Utinga, cidade vizinha, para levar um paciente até Itaberaba, a 140 quilômetros de distância, para fazer uma tomografia do pulmão.

Outra cidade da Chapada Diamantina que teve crescimento vertiginoso de casos da Covid-19 foi Iraquara. Com 25 mil habitantes, o município viu o número de casos saltar de apenas um em 23 de junho para 92 nesta terça.

Segundo o prefeito Edimario Novais (PSD), pesou no crescimento do número de casos da Covid-19 a chegada de pessoas que viviam em outras cidades, mas perderam seus empregos e retornaram ao município. Somente de São Paulo chegaram 200 pessoas nas últimas semanas.

O avanço dos casos acendeu o alerta do governo baiano. Na última semana, o governador Rui Costa reuniu-se com os 100 prefeitos das cidades mais atingidas pela Covid-19 no interior do estado e intensificou as medidas de prevenção e de isolamento social.

Já chega a 97 o número de cidades que tiveram toque de recolher noturno decretado, com proibição da circulação de pessoas sem justificativa e de aglomerações entre às 20h e 6h da manhã.

Também houve um reforço na restrição da circulação de pessoas entre as cidades: dos 417 municípios baianos, 393 estão com o transporte intermunicipal e interestadual de passageiros suspensos.

A principal preocupação do governo é que a evolução dos casos da Covid-19 nas pequenas cidades gere uma pressão sobre o sistema público de saúde das cidades maiores e da capital, resultando em um cenário de colapso. Em Salvador, quatro em cada dez pacientes internados com o novo coronavírus vieram transferidos de cidades do interior.

Com Agências

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