Caso Flávio: Um ano após morte do engenheiro, apenas dois réus estão presos em Manaus


Alejandro Valeiko cumpre medidas caultelares e outros dois réus estão em liberdade. Flávio Rodrigues dos Santos
Arquivo pessoal
Um ano após a morte do engenheiro Flávio Rodrigues, assassinado após uma festa realizada em um condomínio de luxo na Zona Sul de Manaus, dois dos cinco réus acusados pela Justiça estão presos.
Mayc Paredes está em uma unidade prisional e o Policial Militar Elizeu da Paz está no Núcleo Prisional da Polícia Militar. Alejandro Valeiko está fora da cadeia e, segundo a Justiça, cumpre medidas cautelares com monitoramento de tornozeleira eletrônica.
Os três foram acusados de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e tentativa de homicídio.
Alejandro Valeiko
Carolina Diniz/G1 AM
Também são réus e estão em liberdade: a irmã de Alejandro, Paola Valeiko, denunciada por fraude processual, por ter limpado a casa antes da chegada da perícia e José Edvandro Júnior, que responde por denúncia caluniosa, por conta de uma primeira versão, de invasão à casa, contada em boletim de ocorrência.
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De acordo com o Tribunal de Justiça do Amazonas, a ação penal está em curso regular, mas não há prazo para as definições, pois as atividades presenciais seguem suspensas pela pandemia.
O homicídio do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos ocorreu no dia 29 de setembro de 2019, após uma festa na casa de Alejandro Molina Valeiko, filho da primeira dama, Elizabeth Valeiko.
Na época, José Edvandro Júnior registrou boletim de ocorrência dizendo que durante a madrugada, um homem invadiu a festa, realizada no condomínio, agrediu duas pessoas, esfaqueou Magno e teria sequestrado Flávio.
O corpo da vítima foi encontrado somente no dia seguinte no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus. A descoberta do corpo em um terreno baldio no bairro Tarumã, relativamente próximo ao condomínio, pôs fim às buscas por um desaparecimento e abriu o inquérito de um assassinato.
A versão de invasão do condomínio foi descartada pela polícia por conta de depoimentos contraditórios. Uma perícia realizada na casa e imagens do circuito de câmeras do local ajudaram a derrubar a versão.. Dias depois, a prisão dos suspeitos foi decretada.
Das sete pessoas envolvidas, apenas cinco foram consideradas rés pela Justiça:
Alejandro Valeiko, de 29 anos; que vai responder por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, omissão penalmente relevante e ocultação de cadáver;
Elizeu da Paz de Souza, 37, policial militar que estava lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e, conforme investigações, seria segurança de Alejandro; responde por homicídio triplamente qualificado, fraude processual, tentativa de homicídio e ocultação de cadáver;
Mayc Vinicius Teixeira Parede, 37 – que confessou o crime e responde por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e ocultação de cadáver;
Paola Valeiko Molina deve responder por fraude processual.
José Edvandro Martins de Souza Junior, 31; que responde por denúncia caluniosa;
Elielton Magno de Menezes Gomes Junior, 22; que depois passou a ser vítima, pois foi ferido com um golpe de faca.
Vitorio Del Gatto, cozinheiro de Alejandro e que morava na residência. Em novembro, ele teve liberdade concedida por problemas de saúde;
Este mês, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um procedimento preparatório para apurar se houve ato de improbidade administrativa praticado pelo Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, e outros servidores da Prefeitura no caso do homicídio do engenheiro Flávio Rodrigues.
De acordo com o Ministério, o suposto ato de improbidade administrativa será apurado devido ao uso de um carro oficial da Prefeitura e a participação do policial militar Elizeu da Paz de Souza, que estava lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e, conforme investigações, seria segurança de Alejandro.
Na noite do dia 29 de setembro, noite do crime, o policial militar Elizeu da Paz foi flagrado por câmeras de segurança dirigindo um carro alugado da Prefeitura e entrando no condomínio Alejandro Valeiko, morava.
Por meio de nota, a Prefeitura de Manaus disse que todas as providências administrativas necessárias à apuração dos fatos foram tomadas à época e que as informações serão levadas ao conhecimento do MPAM.
(*Ruthiene Bindá, Rede Amazônica)