Carol e Vitória falam de pop empoderado e ‘mais maduro’ após passado de relações abusivas

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Irmãs de Florianópolis faziam respostas para funks em 2017 e hoje seguem querendo ‘enaltecer lado feminino’. site mostra bastidores e carreira de artistas que nasceram nos anos 2000. “Eu tô Gostando de um menino aí / mas ele ainda não sabe que eu gosto dele / se bobear eu vou é desistir / eu sou muito areia pro caminhãozinho dele”, cantam Carol e Vitória em “Eu Tô Gostando de um Menino Aí”. Mas essa confiança nem sempre existiu.
As irmãs de 20 e 19 anos viveram relacionamentos abusivos quando eram ainda mais jovens. Carol, por exemplo, não cantava com Vitória no começo do canal do YouTube em 2015, porque o namorado não permitia.
“Ele tinha as questões religiosas dele, não permitia e eu acatava tudo que ele me falava”, diz Carol, que é a irmã mais velha. Ouça acima trechos da entrevista no podcast.
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Nesta semana, o site mostra bastidores e carreira de artistas nascidos nos anos 2000: do funk de Don Juan e Ingryd à MPB de Agnes Nunes, passando pelo sertanejo (Julia e Rafaela) e pelo pop (Carol e Vitória).
Além de não deixar cantar, o namorado não deixava que ela cortasse o cabelo: “Ele falava que mulher de verdade não tinha cabelo curto”.
Desde que Carol se libertou dessa relação, elas buscam mostrar a força de mulheres e essa vai ser sempre uma meta nas músicas autorais:
“Sempre vamos buscar enaltecer o lado feminino nas nossas letras de alguma forma, às vezes subentendido, outras como ‘Eu Tô Gostando de um Menino aí’”, explica a cantora.
Carol e Vitória falam sobre sonhos e artistas preferidos
Arte/site
Foi com essa inquietação também que surgiu a ideia de criar respostas para músicas que depreciavam as mulheres, como “Lei do Retorno” (MC Don Juan e Hariel), “Deixa Ela Beijar” (Kevinho e Matheus e Kauan) e “Quem Mandou Tu Terminar” (MC Kekel) e outros sucessos que bombaram em 2017.
“A gente observava que a mulher era muito objetificada na época, nas letras. O cara está falando a versão dele da história, então vamos falar da mina”, lembra Carol. Ela diz que escrevia as versões em cinco minutos.
Os vídeos mais vistos têm mais de 16 milhões de views e impulsionaram a carreira das cantoras, que receberam inúmeros feedbacks de outras garotas e não tiveram nenhuma indisposição com os autores das músicas originais.
Nova fase
Pop good vibes, galã do Tik Tok, paixão aguda e uma dupla empoderada de irmãs cantando: o clipe de “Eu Tô Gostando de um Menino Aí” marca o começo de um novo momento para Carol e Vitória.
A faixa não estava planejada para julho, mas viralizou nas redes sociais e acabou ganhando clipe, que já tem mais de 19 milhões de views.
As irmãs contam que mostram bem quem são no clipe: Carol é viciada em Tiktok e se apaixona perdidamente uma vez por dia e Vitória é mais tranquilona, pé no chão e ama jogar no computador.
Depois do disco de estreia “Gato Preto” (2018), Carol e Vitória reconhecem que estavam perdidas sobre o que queriam cantar e tocar no segundo disco.
Carol apaixonada e Vitória gamer: personalidade das irmãs aparece no clipe de ‘Eu Tô Gostando de um menino aí’
Milena Rosado/Divulgação
Elas, então, foram conversar com os produtores da Hitmaker, responsáveis por hits de Kevinho, Anitta e Lexa para ver se tinham alguma luz.
“A gente chegou lá querendo cantar funk achando que era isso que a gente teria que fazer, mas, não, o papo que eles têm com a gente te fazendo realmente pensar no seu profundo, no seu interno”, explica Carol.
“Vai continuar tendo reflexos desses toquinhos good vibes do primeiro trabalho, mas vai ter a identidade da Carol e Vitoria agora mais maduras”, continua Vitória. A faixa-título do 1º disco foi escrita quando ela tinha 12 anos.
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Carol diz que compõe sempre em duas situações quando está muito apaixonada ou muito triste, mas a quarentena também a inspirou de alguma forma.
“Vocês podem esperar para o próximo trabalho músicas muito profundas, reflexivas, que fazem a gente dar valor a quem está do nosso lado, à vida, ao carinho”, explica.
Música em casa
Carol e Vitória tiveram o primeiro contato com instrumentos na igreja aos 7 e 6 anos, quando moravam em Florianópolis.
Elas lembram de ouvir muito Roberto Carlos, Zeca Pagodinho e Bruno & Marrone nas viagens com os pais e Sandy & Junior, Kelly Key e Wanessa Camargo tinham lugar no discman das meninas.
As irmãs conseguiram terminar o ensino médio e até começaram a fazer faculdade. Carol cursou de direito e Vitória fez nutrição, ambas por três períodos.
Carol e Vitória começaram fazendo cover e respostas de funks machistas no YouTube
Reprodução/YouTube/Carol e Vitória
No futuro, a irmã mais nova até se vê fazendo algo na área da gastronomia, mas Carol diz que o direto foi pura obrigação mesmo. Além da música, ela também quer atuar e fazer filmes e novelas.
A mãe, que trabalhava como repositora em um supermercado, sempre apoiou a carreira, incentivava a cantoria nas reuniões familiares e ainda monitorava os ensaios.
“Ela ficava em cima. A gente ensaiando e ela brigava ‘não, isso não tá bom ainda’, acordava a gente cedo para passar música no violão e no teclado”, lembram as irmãs.
“Ela falava sempre que a gente ia levar uma mensagem muito grande para os jovens, uma mensagem de amor, de respeito. Que nós seríamos luz para o mundo”, diz Carol.
Nova geração do pop
Mesmo com uma carreira profissional relativamente nova, as meninas já fazem parte da geração pop good vibes formada por Melim, Anavitória, Vitão, Gabriel Elias, Day.
Esses artistas, inclusive, são citados como referências para Carol e Vitória. Ariana Grande, Demi Lovato, Billie Eilish e a brasileira Elana Dara também influenciam no som da dupla.
Tímida, Vitória lembra do primeiro show que fizeram na vida em 2019: “Eu quase morri, porque tenho muita vergonha.”
Mas, por outro lado, ela acha muito legal que as músicas que canta com a irmã podem mudar o dia de alguém. “Isso pra mim já é um objetivo e eu quero continuar fazendo isso pro resto da minha vida”, finaliza Vitória.

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