Campinas vai na contramão do estado e fecha 1º semestre com aumento nas mortes no trânsito


Dados do Infosiga mostram que 65 pessoas morreram no trânsito em Campinas, 8,3% a mais que no mesmo período de 2019; em todo o estado, pandemia ajudou a reduzir índice em 11%. Carro ficou destruído após acidente em avenida de Campinas

Campinas (SP) fechou o primeiro semestre deste ano com aumento de 8,3% no número de mortes no trânsito, na contramão do estado de São Paulo, cuja pandemia pelo novo coronavírus influenciou na queda de óbitos em 11% na comparação com o mesmo período de 2019. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (20) pelo Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito (Infosiga-SP).
Segundo o relatório, foram 65 mortes entre janeiro e junho, contra 60 do mesmo período do ano passado. Janeiro (18) e junho (14) foram os meses com o maior número de ocorrências.
Os pedestres (29) e motociclistas (18) foram as maiores vítimas do trânsito de Campinas. Acidentes envolvendo automóveis (12), bicicleta (3) e caminhões (3) resultaram em 18 mortes.
Do total de óbitos (65) no semestre, 36 ocorreram em rodovias, 25 em vias municipais e em quatro ocorrências a informação não estava disponível.
Trecho urbano
Considerando apenas o trecho urbano, há uma redução de duas mortes na comparação com o primeiro semestre do ano anterior. Houve, entretanto, uma inversão entre as principais vítimas. Enquanto em 2019 foram contabilizadas 17 óbitos de motociclistas e 7 de pedestres, neste ano foram 11 de pedestres e 9 de motociclistas.
Apesar da redução nas mortes no trecho urbano, o secretário de Transportes e presidente da Emdec, Carlos José Barreiro, avalia que os efeitos da quarentena, com a diminuição de circulação, ficou aquém do esperado e poderia ter uma “influência mais intensa” na diminuição de acidentes.
“Há um fator que precisamos evitar acidentes no momento em que precisamos de leitos vagos para atender pacientes com coronavírus. Nos primeiros 60 dias da quarentena, houve uma redução importante no movimento que conseguimos medir diariamente, mas agora a quantidade de veículos é quase igual de épocas normais. Paralelo a isso, registramos aumento na imprudência. Há entre 10% a 15% mais casos de excesso de velocidade ou travessia em sinal vermelho”, pontua.
De acordo com Barreiro, alguns condutores tiveram a impressão errada da diminuição de movimento com a pandemia e agora “pensam que podem fazer o que vem entendem”.
Um detalhe é que, por conta da pandemia, as notificações e prazos processuais de infrações de trânsito foram suspensas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Por enquanto, os avisos de autuação não são enviados ao infrator, apenas inseridos em um sistema eletrônico. Isso quer dizer que quem cometeu a infração não será avisado.
Quando a situação for normalizada, o órgão de trânsito deverá enviar as notificações de infrações praticadas a partir de 20 de março, informando a data da infração.
Ação com motociclistas
Barreiro informou que deverá se reunir, em até duas semanas, com representantes de empresas que oferecem serviços de entrega por motocicleta – em evidência durante a pandemia.
Segundo o secretário, há um número elevado de irregularidades cometidas pelos motociclistas que colocam a vida deles e de outros agentes do trânsito em risco.
“Quero conversar com representantes dessas empresas. Eles são responsáveis pela preservação da vida dos motociclistas e pelo treinamento, para que cumpram as normas de trânsito. Vamos cobrar que eles respeitem as leis”, concluiu.
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Com Agências