Este mês é marcado pela campanha Setembro Amarelo, que busca conscientizar sobre a prevenção ao suicídio, propondo um diálogo aberto sobre o tema para reduzir o número de casos.

Até 25 de agosto deste ano, foram registradas 400 mortes por suicídio no estado.

O maior número de casos está em pessoas entre 50 e 59 anos.

Em 2019, foram 807 óbitos.

Já em relação às tentativas, foram 2.678 até agosto deste ano e 6.118 em 2019.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que nove em cada 10 mortes por suicídio podem ser evitadas.

Em SC, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) realizam atendimentos com profissionais capacitados.

Além disso, há iniciativas de prevenção do Governo do Estado, como ações voltadas aos estudantes na rede pública estadual de ensino.

Libiana Bez, enfermeira da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos Crônicos da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC), explica:

“Precisamos conscientizar as pessoas, esclarecer e abrir espaço para falar sobre suicídio”.

“É preciso deixar que as pessoas possam falar sobre o sofrimento, e isso pode trazer alívio e conforto”.

“As pessoas próximas podem perceber sinais e ajudar na prevenção. Lembrando que também é necessário procurar ajuda especializada para acolher e encaminhar o tratamento adequado”.

Alguns sinais podem servir de alerta à família e amigos:

“O isolamento, o abuso de álcool e outras drogas, mudanças bruscas de humor, a diminuição do autocuidado e até a automutilação”.

“Esses sinais, especialmente quando se manifestam constantemente, requerem atenção especial”.

De acordo com a médica da Dive/SC, Lígia Castellon, o isolamento social pode agravar problemas crônicos de saúde, entre eles, a depressão:

“Estudos científicos têm demonstrado que, com o isolamento, as pessoas podem apresentar alterações no sono, distúrbios alimentares, excessos provocados pela ansiedade e pela dificuldade de praticar atividade física, piora nos problemas crônicos de saúde e uso abusivo de álcool, cigarro e outras drogas”.

Como buscar ajuda

Para prevenir o suicídio, uma das principais medidas é procurar ajuda profissional.

No sistema público, a porta de entrada para o acolhimento de pessoas com algum transtorno mental são as unidades básicas de saúde.

Os serviços públicos de saúde mental de SC contam com 110 CAPS em diversos municípios e diferentes modalidades.

Nessas estruturas são atendidas pessoas que vêm em demanda espontânea, incluindo as que têm distúrbio psiquiátrico, pensamento suicida e tentativa de suicídio.

Outro importante aliado na prevenção do suicídio é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuitamente, de forma voluntária, 24 horas por dia, por telefone 188, e-mail ou chat pelo site da instituição.

Além de buscar ajuda profissional, também é possível ajudar a prevenir quadros mais graves com atitudes simples, como a escuta ativa.

A ferramenta consiste em oferecer um lugar em que a pessoa se sinta segura para conversar.

A médica Lígia Castellon explica:

“É uma escuta que realmente ouve e compreende o que o outro diz. Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades, ofereça suporte emocional e informe sobre a ajuda profissional”.

“Pode ser necessário contatar serviços de saúde mental, familiares e amigos da pessoa, caso você perceba que não pode oferecer a ajuda adequada”.

Papel da escola na prevenção

Em SC, 1.523 crianças e adolescentes tentaram se suicidar em 2019, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde.

Os registros de automutilação, mais frequentes na faixa etária entre 10 e 19 anos, também acendem o alerta.

Neste contexto, o papel da escola na identificação dessas crianças e adolescentes para prevenção de casos mais graves é fundamental.

Essa é a função do Núcleo de Educação e Prevenção (NEPRE), que combate as violências contra estudantes da rede pública estadual de SC por meio da educação e prevenção.

A falta constante ou queda no desempenho escolar podem indicar um problema com o estudante.

Nestes casos, os coordenadores dos NEPRE são responsáveis por entrar em contato com a família ou com os órgãos de proteção da infância e juventude.

A coordenadora estadual do NEPRE, Rosimari Koch Martins, ressalta que com a pandemia, no entanto, os pais são os maiores aliados para identificar se o aluno precisa de ajuda.

Neste ano, a Secretária da Educação (SED) incluiu no NEPRE online, uma aba que permite quantificar os números que dizem respeito à saúde mental dos estudantes da rede pública.

A ferramenta possibilita que educadores registrem os dados de violência e, por meio da base de dados, o poder público construa ações e políticas públicas para a proteção dos estudantes.

Campanha do Setembro Amarelo refor