Cafeteria cria seleção de grãos especialmente para a quarentena

Na quarentena, cafeterias tiveram que adotar diferentes estratégias para chegar aos seus fregueses em casa, entregando desde pacotes de grãos a bebidas prontas.
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Criar um novo café especialmente para este período foi a solução encontrada pela Catarina Coffee & Love, de São Paulo, que precisou suspender o atendimento presencial nas suas duas unidades no dia 25 de março.

Vendido em grão pela loja virtual, o Café da Quarentena é mais barato que os demais produtos da casa —um pacote de 200 g é vendido por R$ 25, enquanto os outros, por R$ 35, em média. Para chegar a esse preço, os sócios buscaram com pequenos produtores um grão que custasse menos, mas que ainda pudesse ser enquadrado na categoria especial, de maior qualidade.

“O Quarentena se tornou nosso café de entrada: trouxe clientes que gostaram da experiência e se sentiram encorajados a pagar um pouco mais para experimentar outras opções da nossa linha”, diz um dos sócios, o mestre de torra Henrique Ortiz, 27.

Se em março as vendas da cafeteria encolheram 15%, em abril a empresa faturou R$ 100 mil, mesmo patamar de antes da crise. Já em maio, a receita cresceu 10% e, em junho, 12%.

Outra estratégia para alavancar o ecommerce foi diversificar as mercadorias para entrega, incluindo chocolate, mel e kits de cafés com diferentes níveis de torra.

Se antes a presença na internet servia basicamente para reforçar a imagem da marca, agora representa 75% da receita total, segundo Henrique. O restante vem da retirada de pedidos de grãos e de bebidas preparadas na unidade da Vila Mariana, onde é feita a torra.

Mesmo com a retomada das atividades no começo deste mês, os sócios acreditam que o movimento deve permanecer baixo e que o canal online continuará responsável pela maior parte do faturamento.

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Com uma unidade própria e mais 15 franqueadas em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis, a rede de microcafeterias The Coffee lançou em 23 de junho o seu serviço de delivery —por enquanto, só na capital paulista.

“Para que os cafés chegassem em boas condições aos clientes, aumentamos a temperatura de produção das opções quentes, resfriamos ainda mais as que são geladas, selamos os copos e fizemos um suporte adequado aos bagageiros térmicos dos motoqueiros”, diz Alexandre Fertonani, 36, um dos sócios.

Das 15 bebidas que compõem o cardápio das lojas físicas, só o expresso não está disponível por esse sistema. As encomendas são feitas pelo aplicativo Rappi e preparadas em duas cozinhas especializadas em pedidos para entrega.

Os sócios esperam que o faturamento com o delivery chegue a R$ 300 mil mensais quando estiverem vendendo 2.000 bebidas por dia, volume esperado para junho de 2021.

Em Belo Horizonte, a Academia do Café precisou fechar de vez sua segunda unidade em razão da crise.

Com uma redução no faturamento que já alcança os 68% e sem saber quando poderá voltar a receber a clientela, a barista Júlia Fortini, 29, diretora comercial da empresa familiar, antecipou os planos de oferecer formações online.

A principal fonte de renda do negócio, um híbrido de cafeteria e escola aberto em 2011, sempre foi o ensino de temas ligados ao café. Em abril, a empresa deu início as aulas remotas ao vivo, com até 17 alunos.

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Enquanto cada um dos três programas online custa entre R$ 330 e R$ 395 por aluno, os presenciais, ainda sem data, vão de R$ 350 a R$ 3.500.

As aulas têm atraindo pessoas de outros estados, e muitas se tornaram clientes do ecommerce da marca.

“Nossas vendas pela internet aumentaram 95% no período. O que mais sai são os pacotes de café, mais rentáveis para a gente”, diz Júlia.

A recomendação para o momento é testar novas estratégias, afirma o professor Marcus Salusse, do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Errado é não fazer nada ou continuar fazendo o mesmo que antes.”

Montar uma loja virtual, gravar vídeos ensinando a preparar bebidas especiais e criar kits de café de manhã são ações sugeridas por ele.

Dafna Blaschkauer, consultora de negócios ligados ao café, enfatiza que é preciso alavancar a comercialização de produtos com maior margem de lucro e incentivar a venda cruzada, agrupando grãos a equipamentos para o preparo da bebida, por exemplo.

“Dificilmente os hábitos vão ser os mesmos”, diz ela, idealizadora do #vivacafe, movimento de apoio ao setor.

Com Agências

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