Bolsonaro critica “seita ambiental” de europeus e defende Salles e Pazuello

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passou boa parte da transmissão nas redes sociais nesta quinta-feira (16) defendendo as políticas de meio ambiente do governo federal, dizendo que há interesse de nações estrangeiras em atrapalhar o agronegócio do país.

BRASILIA, BRAZIL - JULY 15: Brazilian President Jair Bolsonaro looks on in front of the official residence after testing positive for coronavirus (COVID-19) in Alvorada Palace on July 15, 2020 in Brasilia, Brazil. President Bolsonaro announced Tuesday July 07 he tested positive for COVID-19 after presenting symptoms. (Photo by Bruna Prado/Getty Images)

Durante a live, Bolsonaro também defendeu seus ministros e afirmou que Ricardo Salles (Meio Ambiente), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde, não serão demitidos, ao contrário de algumas reportagens publicadas por veículos de imprensa.

Na transmissão, que durou mais de uma hora, Bolsonaro afirmou que ainda está contaminado pelo coronavírus, segundo exame de dois dias atrás. Acompanhado de alguns assessores na sala onde fez a live, que estavam atrás da câmera, ele novamente não utilizou máscara.

Bolsonaro começou a live afirmando que a questão ambiental do Brasil passava por uma “guerra da informação” envolvendo países europeus, que cobram medidas mais rígidas no combate ao desmatamento.

“O Brasil é uma potência do agronegócio, e a Europa é uma seita ambiental. Eles não preservaram nada do seu meio ambiente, mas o tempo todo atiram em nós. É uma briga comercial. No passado, havia interesse pela região, e hoje em dia há interesse em todo o Brasil. É o tempo todo o governo sendo acusado injustamente de maltratar o meio ambiente. Parte da imprensa publica mentiras sobre isso, e a imprensa de fora republica.”

Apesar de defender a posição do governo, Bolsonaro afirmou que deveria assinar um decreto que proibiria as queimadas por quatro meses. “Mas eu pergunto: como o homem que está no interior do Brasil, com esse decreto, vai cultivar alguma coisa? Se ele não cultivar esse ano, não vai ter o que comer.”

O presidente ainda falou que o agronegócio é a “locomotiva” da economia do Brasil e mostrou imagens de outdoors espalhados pelo país que elogiam e agradecem o governo. “É uma manifestação, voluntária, de carinho. E grande parte é do produtor rural”, disse Bolsonaro, afirmando que não incentivou e nem participou a prática.

Bolsonaro defende ministros e não comenta Gilmar Mendes

Na transmissão, Bolsonaro listou seus 23 ministros e negou a saída de Ricardo Salles e do ministro interino da Saúde, o general Eduardo Pazuello, dizendo que ambos ficarão no governo. “São dois ministros excepcionais”, comentou.

Mais tarde, sobre Ernesto Araújo, ele disse que parece “irmão gêmeo” do chanceler. “Vira e mexe, dizem que ele vai sair. Tudo que a gente conversa, a gente se acerta perfeitamente. Se ele sair, eu tenho que sair também”.

O presidente ainda respondeu a uma pergunta de um jornalista, enviada diretamente aos assessores da Presidência, sobre a polêmica envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Dias atrás, Mendes afirmou que o Exército brasileiro estava se associando a um “genocídio na gestão da pandemia, ao comentar a participação dos militares no Ministério da Saúde – como Pazuello, que assumiu interinamente o ministério e não é médico. O caso foi resolvido com uma conversa entre Bolsonaro e Mendes, e depois entre Mendes e Pazuello, o que foi confirmado pelo presidente.

Bolsonaro disse que “dava por encerrado” o episódio. “Eu conversei com o Gilmar Mendes, e me reservo a não revelar o teor da conversa”, disse Bolsonaro. “O que nós queremos é solução”, disse o presidente, que em seguida passou a defender a atuação de Pazuello.

Com Agências