Blumenau vive momento mais delicado da pandemia com altas taxas de contágio e média de novos casos

UTIs lotadas, alto número de pacientes ativos, índice de contágio, gráfico em elevação: indicadores mostram que pico ainda está por vir

Atendimento no Ambulatório da Vila Germânica, montado para casos suspeitos de coronavírus.
Atendimento no Ambulatório da Vila Germânica, montado para casos suspeitos de coronavírus.

(Foto: Patrick Rodrigues)

No dia em que anuncia novas medidas para frear o avanço do novo coronavírus, Blumenau enfrenta o momento mais delicado da pandemia. E não é só pelas UTIs lotadas nos hospitais da cidade, ou então pela quantidade de pacientes ativos. Ao menos outros dois indicadores revelam o cenário preocupante: o alto índice de contágio e a média móvel de novos pacientes que se infectaram.

Conforme dados obtidos pelo Santa junto às equipes que atuam no combate à Covid-19 em Blumenau, a Taxa de Retransmissão (Rt) — que indica para quantas pessoas um infectado passou o vírus após contraí-lo — chegou a 1,63 no último dia 16. Há três semanas, em 30 de junho, esse número era de 1,17. Em 3 de julho passou para 1,37, foi a 1,58 no último dia 8, e atingiu a maior marca no fim da semana passada.

A média móvel de novos casos — que é o total de novos pacientes infectados em uma semana dividido por sete — também disparou. Passou de 35,8 para 206,7 testes positivos diários da Covid-19 em quatro semanas. Esse indicador (confira no gráfico abaixo) vem sendo utilizado por autoridades de saúde por mostrar curvas mais realistas e, em Blumenau, sugere que o tal “pico” da pandemia do coronavírus ainda nem chegou.

— Pelo que vemos nessas últimas duas semanas, acreditamos que estamos, sim, muito próximos do pico. O que indica isso é justamente a ascensão exponencial do Rt. Essa curva de tendência, mais a média móvel dos últimos sete dias mostra que estamos perto do pico. Quando vamos chegar lá? Só quando chegarmos em um determinado número de taxa de contágio, e aí ele começar a cair — explica a médica infectologista Sabrina Sabino.

“Como se a pandemia tivesse começado agora”

Na avaliação do geógrafo Eduardo Augusto Werneck Ribeiro, professor do Instituto Federal Catarinense (IFC) e pesquisador com participação em uma rede nacional de estudos sobre a Covid-19, é como se a pandemia tivesse começado agora em Santa Catarina. O especialista diz que as medidas tomadas no início, lá em março, serviram apenas para retardar o coronavírus, e não para achatar a curva de contágio.

— Se você olhar, a curva da média móvel deixa de ser dezena e passa ser centena muito rápido. É como se a pandemia tivesse começado agora, mas em um grau pior. O número me surpreende. São 200 novos casos entrando em circulação por dia. Aquele efeito positivo que se criou por conta da quarentena foi por água abaixo. Colocamos carne fresca para o vírus — avalia Werneck Ribeiro.

“Testagem cavalar”

Outro ponto que destaca o geógrafo é a necessidade de ampliar a testagem. Embora Blumenau tenha começado fazer mais testes já em abril, apenas uma pequena parte da população foi abrangida. Para que se tenham políticas públicas sólidas contra a Covid-19, explica Werneck Ribeiro, é necessário que uma fatia considerável de moradores faça o exame para detectar se tem — ou teve — o coronavírus:

— Se for feita uma quarentena testando, é uma coisa. Já se fizer uma quarentena igual à do começo, vai acontecer a mesma coisa de novo [ao se referir sobre o aumento de casos e mortes]. Sem testagem, não vai mudar nada. Temos que ter um modelo semelhante ao de Pelotas, algo cavalar, na casa dos 25% da população, para ser algo robusto. Hoje, do jeito que está, estamos navegando sem instrumentação.

Situação do coronavírus em Blumenau

Na noite deste domingo (19), o Santa antecipou as medidas restritivas que serão adotadas em Blumenau e região. A decisão foi tomada pelos prefeitos do Médio Vale do Itajaí por conta dessa situação delicada vivida na região. Só nos municípios que compõem a área, são 9,4 mil casos e 60 mortes confirmadas pelo novo coronavírus.

Em Blumenau, segundo a prefeitura, já são 5.585 moradores infectados com a Covid-19. Foram 90 novos casos em relação ao dia anterior. Na sexta-feira (17), a cidade registrou o maior número de testes positivos em um único dia: 304. O índice de pacientes ativos também se mantém alto, acima da marca de 2 mil pessoas há pelo menos quatro dias.

Já em Santa Catarina, segundo o governo do Estado, são 53.336 casos confirmados do coronavírus, com 685 mortes. Joinville (82) e Itajaí (68) são as cidades que mais registraram óbitos relacionados à Covid-19. Blumenau, na lista oficial da Secretaria de Estado da Saúde, soma 25 — mas na manhã desta segunda-feira (20) a prefeitura já havia confirmado a 28ª vítima fatal da pandemia.

Com Agências

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Gostou deste blog? Por favor, compartilhe :)

https://jornaltijucas.com.br/feed/
Seguir por E-mail
YOUTUBE