Biodiversidade marinha da Bahia ainda sofres efeitos do vazamento de óleo em 2019

Biólogos mapearam os danos provocados pelo vazamento de óleo que atingiu o litoral brasileiro no ano passado. Biodiversidade marinha da Bahia ainda sofres efeitos do vazamento de óleo em 2019
Biólogos mapearam os danos provocados pelo vazamento de óleo que atingiu o litoral brasileiro no ano passado. Na Bahia, a biodiversidade marinha sofre até hoje.
Praia de Itacimirim, litoral norte da Bahia. Não é preciso andar muito para perceber pequenas manchas pretas na areia. E basta cavar um pouquinho para encontrar mais.
“Dá para ver bem que é um coral. Ele tem uma incrustação, uma pasta preta, que é petróleo”, diz o ambientalista Maurício Cardim.
O petróleo sob a areia é o que restou das primeiras manchas de óleo que surgiram no litoral nordestino em agosto do ano passado e chegaram a mais de mil localidades do Nordeste e Sudeste. Este ano, voltaram a aparecer em Morro de São Paulo, Salvador e no litoral norte baiano, área mais atingida no estado.
No maior recife costeiro do litoral norte baiano, antes da chegada do óleo, era comum encontrar peixes, estrelas do mar e outros animais coloridos nas pocinhas d’água. Hoje, quase não se vê esses animais por lá. E o verde todo que parece tão bonito, na verdade é resultado de um grande desequilíbrio ambiental.
“Essa quantidade de algas está aumentando porque as pinaúnas desapareceram do recife. Essa era uma área que tinha bastante pinaúna e elas se alimentam dessa alga. Então na ausência dessa pinaúna que acontece a água começa a começar a se proliferar e começa a ocupar o espaço de outros organismos”, explica o diretor do Instituto de Biologia da UFBA, Francisco Kelmo.
O biólogo Francisco Kelmo monitora há 25 anos as principais praias dessa região, registrando a diversidade e a quantidade de animais que habitam as praias do litoral norte baiano. Segundo ele, depois da chegada do óleo houve uma queda de 80% na biodiversidade de espécies e redução também na quantidade de animais vivos por metro quadrado de praia.
“Ao longo prazo, o animal que foi contaminado mas não morreu, ele sofre os efeitos biológicos dessa contaminação. E uma das coisas que o corpo dos animais faz, dos seres vivos faz, quando ele está sob algum tipo de estresse, interrompe o período reprodutivo. Então ao interromper o período reprodutivo, simplesmente a gente tem a diminuição aí gradativa e continuada da morte, do desaparecimento dos animais das nossas praias”, afirma