Biden insiste em narrativa diferente de Trump e visita família de vítima em Kenosha


Milwaukee
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AFP e Reuters

O candidato democrata à Presidência dos EUA, Joe Biden, visitou nesta quinta-feira (3) a família de Jacob Blake, o homem negro baleado pelas costas por policiais brancos em Kenosha, no estado de Wisconsin. Biden também conversou com Blake por telefone, de acordo com o advogado da família, Benjamin Crump.

A reunião, que não teve participação da imprensa, aconteceu no aeroporto de Milwaukee, onde o democrata desembarcou para fazer campanha em Wisconsin.

O candidato e sua mulher, Jill, se encontraram com duas irmãs, o irmão e o pai da vítima, também chamado Jacob Blake. Durante a reunião, foi feita uma ligação com a mãe, o advogado e o próprio Blake, que está no hospital, paralisado da cintura para baixo.

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Biden fala em igreja luterana com moradores de Kenosha, no estado de Wisconsin, durante campanha
Kevin Lamarque – 3.set.2020/Reuters

De acordo com o relato do advogado, a família “estava grata pela visita e impressionada que os Bidens estavam verdadeiramente dispostos a escutar”.

O presidente Donald Trump esteve em Kenosha nesta terça (1º), mas se recusou a encontrar os parentes de Blake após saber que um advogado da família estaria presente. Ao invés disso, o republicano encontrou-se com policiais, cujo trabalho elogiou, e chamou os protestos antirracistas e contra a violência policial que irromperam na cidade de “terrorismo doméstico”.

Segundo o jornal The New York Times, durante o encontro, Biden e a família Blake conversaram sobre como mudar o tratamento da polícia em relação às minorias e sobre o impacto da escolha de Kamala Harris, uma mulher negra, como vice na chapa democrata.

“Blake falou a respeito da dor que está sentindo, e o vice-presidente demonstrou compaixão”, disse o advogado. “Foi muito óbvio que Biden se importa, pois o tratou com humanidade, como uma pessoa digna de consideração.”

Biden não conversou com repórteres após o encontro e seguiu para uma reunião com a comunidade em uma igreja luterana em Kenosha. Membros do grupo Black Lives Matter estavam presentes, e uma líder local, Porsche Bennett, disse que estavam cansados de ver promessas vazias de reforma da polícia. Também estavam na igreja empresários que disseram ter medo que suas lojas fossem alvo de vandalismo.

O democrata, que tenta se descolar da narrativa de que é conivente com a destruição de propriedade que acontece em alguns protestos, condenou-a novamente. “Não importa com quanta raiva você está, se você saqueia ou queima, tem que se responsabilizado.”

O ex-vice de Barack Obama, entretanto, elogiou o Black Lives Matter, dizendo que Trump não conseguiu colocar a população contra os manifestantes.

A visita de Biden a Wisconsin, estado no qual Trump derrotou Hillary Clinton em 2016 com uma vantagem de 1%, marca uma nova fase na campanha do democrata. Até aqui, o ex-vice de Barack Obama havia feito a maioria dos seus eventos em seu estado natal de Delaware por conta da pandemia de coronavírus.

Nesta quinta, Trump fará campanha na Pensilvânia, outro estado chave em eleições presidenciais. O republicano venceu lá em 2016 por menos de um ponto percentual.

O caso de Jacob Blake deu novo fôlego aos protestos antirracismo em várias cidades nos EUA. Em vídeo gravado por testemunhas, é possível ver Blake, 29, se afastar dos policiais que o abordaram e caminhar em direção a seu carro, onde estavam seu três filhos. Os agentes, então, abrem fogo, atingindo Blake sete vezes.

Ele está no hospital, e chegou a ser algemado ao leito por policiais, que alegaram que havia ordens judiciais anteriores contra ele. Só foi solto após seu pai denunciar a prisão à mídia.

O pai de Blake, quando perguntado na terça pela rede de televisão CNN a respeito da visita de Trump, disse que se recusa a “brincar de política” com a vida do filho. Já Justin Blake, tio da vítima, afirmou que a família não tinha interesse de se encontrar com Trump, chamando-o de racista e acusando-o de provocar violência racial.

O prefeito de Kenosha e o governador de Wisconsin, ambos democratas, haviam pedido que Trump não fosse à cidade a fim de evitar acirrar ainda mais as tensões. O republicano os ignorou, visitou locais que sofreram danos com os protestos e conversou com comerciantes que tiveram suas lojas danificadas.

Trump disse ainda que não vê problema sistêmico com a polícia dos EUA, cuja violência atinge negros de forma desproporcional. Para o presidente, são apenas casos de “maçãs ruins” em uma excelente corporação.

O republicano criticou a postura dos democratas em relação aos protestos e reafirmou o discurso de candidato da “lei e da ordem”.

Biden, por sua vez, acusa o republicano de incitar a violência nos protestos antirracistas. Em discurso de campanha nesta segunda (31) em Pittsburgh, na Pensilvânia, o democrata disse que “o presidente abriu mão de qualquer liderança moral neste país. Ele não é capaz de impedir a violência, porque a fomentou ao longo de quatro anos”.

O ex-vice de Barack Obama também condenou a destruição que acontece em alguns protestos. “Saquear não é protestar, pôr fogo não é protestar. É ilegal, e quem faz isso deve ser responsabilizado criminalmente. A violência piora as coisas, e deve acabar”, disse.

Em entrevista coletiva nesta segunda (31), Trump havia sugerido que Kyle Rittenhouse, o adolescente branco que matou dois manifestantes antirracistas e feriu um terceiro em Kenosha, agiu em legítima defesa.

“Ele estava tentando se afastar e foi atacado. Ele provavelmente teria sido morto”, disse o presidente.

Imagens gravadas por testemunhas mostram o momento em que um grupo de manifestantes tenta desarmar Rittenhouse após ele ter atirado em um deles. O adolescente então faz disparos à queima-roupa contra seus perseguidores.

Ele foi acusado de homicídio em primeiro grau, equivalente ao homicídio doloso no Brasil, quando há intenção de matar, e pode pegar prisão perpétua.


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