BC não vê 2ª onda no Brasil, mas agirá no crédito se isso ocorrer, diz diretor

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, afirmou nesta quinta-feira que o cenário básico da autoridade monetária é de que não haverá segunda onda de contaminação de Covid-19 no país, mas pontuou que, se isso ocorrer, a autarquia agirá mais uma vez para expandir o crédito.

“Se acontecer segunda onda, a gente vai com tudo de novo, a gente está pronto para atuar mais uma vez e fazer medidas de expansão de crédito de novo”, afirmou ele, em live promovida pela Associação e Sindicato de Bancos do Estado do Rio de Janeiro (Aberj).

Kanczuk reafirmou que a visão do BC é de que a recuperação da atividade se dará num formato de “swoosh”, usualmente associado ao símbolo da Nike. Ele justificou que essa retomada não deverá ser em V porque vários setores não conseguirão voltar devido ao distanciamento social.

“Você tem varejo voltando firme, indústria até ok, mas setores de serviços, aqueles serviços prestados às famílias, inclui cabeleireiro, limpeza, em que você tenta reduzir pelo afastamento social, esses não retornam com a mesma força”, disse ele, afirmando que os dados de serviços que saíram nesta manhã mostraram esse retrato e que não houve “surpresa nenhuma” no número.

O volume de serviços do Brasil subiu 5% em junho sobre maio, ajudado pelo afrouxamento do isolamento social para contenção do coronavírus. O resultado, entretanto, ficou longe de recuperar as perdas acumuladas de 19,5% dos quatro meses anteriores.

AUTONOMIA DO BC

Sobre o projeto de autonomia formal do BC, o diretor disse que a expectativa é de que seja aprovado ainda neste ano, recebendo primeiro o aval do Senado e depois da Câmara dos Deputados.

Ele defendeu que, para o brasileiro, a concessão de autonomia à autarquia não vai resultar em “diferença nenhuma”, mas que, para o investidor estrangeiro que tem menos conhecimento sobre o país, essa é uma questão que dará mais segurança às decisões.

Questionado sobre como impulsionar a competição no sistema financeiro, Kanczuk disse que o BC está tentando avançar nessa frente da forma mais rápida que consegue, complementando que a adoção de mais tecnologia é o caminho visto pela autoridade monetária para tanto.

Segundo Kanczuk, serão pilares desse processo o início da plataforma de pagamentos instantâneos Pix, em novembro, e posteriormente o open banking —sistema que dará aos clientes de instituições financeiras o poder sobre seus dados cadastrais e de transações, como meio de abrir o acesso a serviços mais baratos e melhores.