Avó de uma das crianças internadas após beber água em cidade da BA fala sobre caso; um bebê morreu

Situação ocorreu no povoado de Lagoa do Boi, em Araci. Dez crianças continuam internadas no Hospital municipal de Araci, até esta quarta. Avó de criança internada com suspeita de intoxicação por água contaminada comenta caso
A avó de uma das crianças hospitalizadas depois de passarem mal ao ingerir água na cidade de Araci, a cerca de 220 km de Salvador, falou em entrevista ao Bahia Meio Dia desta quarta-feira (16) sobre a situação. Ela contou que várias pessoas da família tiveram os sintomas. Um bebê de 1 anos e oito meses morreu por causa da situação. Trintas pessoas, ao menos, tiveram sintomas.
“Eu estou com a minha neta, meu irmão está com a filha dele em Feira de Santana internada, meu cunhado, que passou muito mal e está em Salvador, e meu primo. Eles sentiram dor de barriga, vômito, diarreia. Meu cunhado chegou até a desmaiar, passou mal, chegou aqui quase sem futuro, mas graças a Deus chegou em tempo”, disse em entrevista à TV Subaé, afiliada da TV Bahia.
O caso ocorreu no povoado de Lagoa do Boi, que tem cerca de 700 moradores. No total, mais de 30 moradores já manifestaram sintomas diversos após beber a água, como vômitos, diarreia e dores abdominais
A criança que morreu foi identificada como David Raí dos Santos, de 8 anos de idade, aconteceu no dia 9 de setembro.
Na época, ele reclamou para a família que estava sentindo dores abdominais, vomitou inclusive sangue. A família ficou preocupada e trouxe ele para a unidade de saúde, mas ele foi levado para casa. Ao chegar no imóvel, ele sentiu novamente essas dores, retornou ao hospital, quando foi transferido para Feira de Santana. Ele morreu durante a transferência.
Nessa mesma semana, 15 crianças, além de alguns adultos, foram hospitalizadas. Dez continuam internadas no Hospital municipal de Araci, até esta quarta. Desde então, o posto de saúde da comunidade começou a registrar vários casos com os mesmos sintomas.
A suspeita do médico que atendeu esses pacientes é de uma contaminação através da água. Porém, a Embasa disse que não tinha aferido uma qualidade ruim da água.
As amostras da água foram colhidas e encaminhadas para serem examinadas no Laboratório Central de Saúde Pública, também na capital baiana. A prefeitura também notificou a Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A (Embasa) para que o abastecimento na zona rural do município fosse suspenso.
A expectativa era que o resultado dos testes saíssem na terça-feira (15). Em entrevista ao Bahia Meio Dia desta terça, Ana Ofélia Marques, secretaria de Saúde do município, disse que não há previsão para o resultado.
“Olha, a Embasa ainda não nos forneceu os exames que ela realizou. Nós estamos aguardando o exame que nós coletamos a água através da vigilância sanitária e encaminhamos para o Lacen. Nós estamos no aguardo da análise dessa amostra de água, mas a Embasa não encaminhou ainda pra gente o resultado dos exames”, contou.
“Foi feita a coleta da água [na caixa d’água da comunidade], e essa coleta tanto foi feita nessa caixa d’água como também nas caixas d’água dos familiares [das vítimas]. Tudo foi encaminhado para o Lacen”, completou.
O que diz a Embasa
Por meio de nota, a Embasa disse que “desde que a suspeita de que a água distribuída na comunidade de Lagoa do Boi, no município de Araci, foi levantada pela Vigilância Sanitária, devido a episódios de mal-estar na população local seguidos de hospitalização e um óbito, a Embasa iniciou uma série de medidas visando a segurança da saúde da população local”.
A nota pontuou que no “dia 11, a empresa interrompeu o abastecimento nas localidades rurais de Lagoa do Boi, Lagoa dos Cavalos e Jurema e iniciou uma investigação por meio da coleta de amostras no reservatório e na rede distribuidora local e de análise em laboratório para verificar se a água está dentro dos padrões de potabilidade determinados pelo Ministério da Saúde e se existem indícios de substâncias contaminantes na água”.
A empresa disse também que “os resultados obtidos até agora indicam que a água distribuída na localidade tem cloro residual dentro de padrão recomendado pelo Ministério da Saúde e não tem presença de microrganismos nocivos à saúde ou que coloquem em risco a saúde da população”.
Falou também que nesta manhã, “técnicos da empresa coletaram amostras no reservatório do sistema de abastecimento para analisar mais parâmetros de potabilidade e chegar a evidências conclusivas sobre a qualidade da água distribuída nessas localidades”.
Por fim, avisou que “o abastecimento vai continuar interrompido nas três localidades até que todas as evidências quanto à qualidade da água distribuída nessas localidades sejam apresentadas à Vigilância Sanitária”.
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