Avicultura de SC aguarda rastreamento sobre coronavírus em carne de frango na China

Setor mantém confiança sobre os processos de qualidade utilizados para exportação dos produtos

Exportação de carne de frango é parte importante da economia catarinense
Exportação de carne de frango é parte importante da economia catarinense

(Foto: Félix Zucco / Agência RBS)

A notícia da identificação de traços do coronavírus na superfície de asas de frango exportadas para a China é recebida com cautela pelo setor em Santa Catarina. Controle de qualidade e o tempo de transporte do produto até o oriente são alguns dos argumentos da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV). O gerente da entidade, Jorge Luiz de Lima, aguarda novas informações sobre o momento da possível contaminação.

— O processo está sendo apurado a nível governamental. Hoje tivemos uma manifestação do Embaixador da China no Brasil informando que eles precisam fazer uma apuração mais detalhada no território chinês para identificarem se isso procede e onde poderia ter ocorrido uma contaminação. Estamos atentos, mas tranquilos com nosso processo produtivo, que é auditado por mais de 150 países — pontua o gerente.

A nota publicada pela prefeitura de Shenzen, na China, diz que a coleta do material foi realizada na terça-feira (11) durante uma inspeção em alimentos importados. De acordo com o comunicado, as pessoas que entraram em contato com o produto na China testar negativo para coronavírus. O tempo que leva para o produto chegar até o país é um fator que indica que a contaminação não tenha ocorrido no Brasil.

— O que nos foi colocado pelo Ministério é que eles precisam fazer um processo de rastreabilidade, que será feito pelo Governo Chinês. A nota deles diz que outras embalagens foram testadas e não tiveram o resultado positivo. Este critério de lapso temporal é fundamental. Foi o primeiro fator que observamos. Um contêiner leva cerca de 60 dias para chegar lá. Isso contraria os estudos que apontam a impossibilidade do vírus permanecer ativo na superfície por mais de 5 ou 6 dias — argumenta Lima.

A Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural se manifestou sobre o tema. De acordo com a pasta do Governo de SC, “não há comprovações científicas de que a carne seja transmissora do vírus, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)”.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirma, por meio de nota oficial, que não foi notificado pelas autoridades chinesas sobre o caso. O MAPA argumenta que “segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há comprovação científica de transmissão do vírus da COVID-19 a partir de alimentos ou embalagens de alimentos congelados”.

A Cooperativa Aurora, produtora da carne de frango exportada à China, garante que até o momento não houve notificação oficial por parte das autoridades chinesas. A empresa cooperativa aguarda a manifestação para prestar esclarecimentos. A entidade também argumenta que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) não há evidências da possibilidade de transmissão do coronavírus a partir dos alimentos.

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