As indicações aos prêmios Emmy 2020 mostraram que algumas coisas mudaram, mas outras permanecem iguais para a Academia de Televisão no que diz respeito a diversidade e oportunidade, no ano em que diversos artistas se solidarizaram com a campanha antirracista Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Por um lado, atores negros conquistaram o maior número de indicações já computadas na história da premiação televisiva. Ao todo, 33 intérpretes negros foram reconhecidos, mas como Maya Rudolph e Giancarlo Esposito foram indicados duas vezes, a conta chega a 34,3% do total das 102 indicações de atuação do Emmy.

O grande destaque pertence ao elenco de “Watchmen”, que emplacou cinco atores negros na disputa – além de dois brancos.

O recorde anterior era de 27,7% do total e foi atingido há dois anos.

Mas latinos e asiáticos permaneceram minoritários nas disputas de interpretação. Nenhum artista latino foi lembrado, enquanto Sandra Oh (“Killing Eve”), Dev Patel (“Modern Love”) e Ramy Youssef (“Ramy”) representaram diferentes etnias asiáticas na relação divulgada nesta terça (28/7) pela Academia.

Além disso, as categorias mais nobres da área criativa da televisão, que são redação e direção, mantiveram-se como feudo quase exclusivo de profissionais brancos. Diretores brancos representaram mais de 70% dos indicados e escritores brancos atingiram 82,5% do total. Não só isso: a maioria dos concorrentes desta categoria são homens.

Desta forma, falta muito ainda para a indústria televisiva cumprir as promessas feitas em meio à comoção causada pelas passeatas de protesto geradas pelo assassinato de George Floyd nos EUA. A luta por maior inclusão, diversidade e respeito profissional não deve acontecer apenas à frente das câmeras, mas principalmente atrás delas, onde o controle ainda permanece nas mãos de quem sempre mandou.