Assistimos ao início da devassa da Lava Jato

O procurador Deltan Dallagnol é um dos símbolos da operação. (Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP)

O procurador Deltan Dallagnol é um dos símbolos da operação. (Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP)

O Profeta parece estar dirigindo-se à Lava Jato. De fato, está.

Assim são as profecias: verdades absolutas que – em todos os tempos – recordam que os caminhos precisam ser desentortados e os altos, abaixados, lembrando outras passagens do mesmo Profeta e do próprio Jesus Cristo.

Na mesma semana em que assistimos ao início da devassa nas coxias da Lava Jato, deixando clara a origem estrangeira da operação que destrói a democracia no país, vemos a principal atriz daquele processo de destruição – a Rede Globo – buscar aproximação com o Partido dos Trabalhadores, o PT.

Vale recordar que a Rede Globo foi o motor dos golpes de estado no Brasil, desde sempre; sem ela, as rupturas da legalidade em 54, 64 e 2016 não teriam sido possíveis.

Demoníaca, a Rede sabe apostar na divisão, buscando isolar os setores que defendem uma revisão em profundidade das práticas políticas no país.

Assim como as outras cabeças da medusa, tenta reviver os acordos “por cima” que caracterizaram as transições políticas no país.

Não perceberam, porém, que aquele modelo faliu, pelas próprias mãos delas, que traíram o pacto que o PT lhes propusera, de transição “pelo alto”.

Por outro lado, a força do PT, que vinha da rejeição dos dogmatismos do “socialismo real”, não foi equilibrada por um corpo doutrinário que lhe desse sustentação ideológico-cultural, ruindo como casa construída sobre a areia e não a rocha, para utilizar mais uma imagem cristã.

Nesse contexto, Lula, novamente, demonstra maturidade e sentido histórico: sabe, como Getulio Vargas, que a política e a agricultura dependem de tempo de maturação, para o qual cabe “espera ativa”.

Nesse sentido, iluminar as trevas é tarefa primordial.

Na semana passada, um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, deu excelente entrevista para o canal GGN de Luís Nassif, explicitando como toda a operação Lava Jato foi gestada nos Estados Unidos da América.

Por outro lado, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, também na semana finda, muito bem indicou a criminosa cumplicidade de generais brasileiros com o genocídio que assola o país.

As trevas, lentamente, vão cedendo à luz.

A propósito, ao ler “Escritos e Biografias de São Francisco de Assis”, da editora Vozes, encontrei a passagem da biografia do santo ecologista que sempre me chamou atenção: os monges haviam salvado um coelhinho que caíra em uma armadilha, colocada por caçadores. Ao acariciar o animalzinho, o “Pobrezinho de Assis” perguntou-lhe por quê foi tão ingênuo em cair na armadilha.
Cabe a nós também fazermo-nos essa pergunta.

Qual a razão de não estudarmos mais o imperialismo, principal responsável pelas rupturas democráticas no país, as quais, sucessivamente, nos levaram à condição de país mais injusto do mundo, pela exploração acelerada dos pobres pelos ricos?

O que nos impede de termos um centro de estudos do imperialismo?

Nesse sentido, caberão algumas perguntas, como bem enunciara Darcy Ribeiro em “América Latina: a Pátria Grande”: “Vocês se reconhecem ou não como os que foram e estão sendo recolonizados pelas corporações americanas?”.

Continua aquele grande pensador: “Para as forças conservadoras, é fácil reconhecer-se a si próprias, definir suas possíveis massas de manobra e identificar seus inimigos. Para as forças revolucionárias, tudo isso é muito mais complexo, porque elas partem, necessariamente, de uma visão alienada de si mesmas e do mundo, que só podem corrigir através de uma crítica árdua e porque necessitam exercer um esforço intelectual muito mais profundo e continuado para se encontrarem, se expressarem e se organizarem como forças que existam e atuem para si próprias. Um passo importante nesse sentido será dado no momento em que contarmos com um conjunto coerente de conceitos descritivos que permitam diagnosticar o caráter dos regimes políticos e identificar as forças que os sustentam ou que a eles se opõem.”

Complementa brilhantemente: “Uma debilidade essencial dos reformistas reside em seu próprio caráter intrinsecamente conciliativo, que os faz recuar sempre que a direita ameaça com a guerra civil…reside também, principalmente talvez, em sua incapacidade de organizar politicamente o povo para a autodefesa contra o golpismo.”

Por fim, recorda: “…revolucionário é quem exaure, aqui e agora, as potencialidades de ação concretamente transformadora do contexto histórico nacional em que opera.”

Pouco haveria a acrescentar, a não ser ressaltar a importância da região para a geopolítica do império, que sairá ainda mais fraco da pandemia, pelas respostas equivocadas, replicadas no Brasil pelo seguidor mais fiel do tirano.

Portanto, caberá discutir com as forças progressistas nacionais e internacionais como conhecer, estudar e prevenir o imperialismo e suas ações de morte, sejam nas emergências – como na pandemia; sejam de forma continuada, pelo domínio de nossas instituições políticas.

Com Agências

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