Após fala de Bolsonaro, aliados querem aprovar imposto digital para financiar o Renda Brasil

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Depois de o presidente Jair Bolsonaro se irritar com novas propostas da equipe econômica e mandar parar os estudos sobre o Renda Brasil, aliados do governo no Legislativo defendem a aprovação de um novo imposto sobre pagamentos eletrônicos para financiar o programa social.
Segundo líderes no Congresso, essa deve ser a estratégia para tentar manter o pagamento de um benefício na linha do auxílio emergencial a partir de 2021.
“O presidente não gostou, e com a razão, da nova proposta do Ministério da Economia de congelar aposentadorias para bancar o Renda Brasil. Mas não podemos deixar as pessoas que estão recebendo o auxílio emergencial sem nenhuma proteção social no ano que vem, temos de encontrar outras saídas”, disse ao blog um interlocutor do presidente da República.
Segundo um líder aliado do Palácio do Planalto, a saída passa por tentar criar o novo imposto sobre pagamentos eletrônicos e, ao mesmo tempo, aprovar os gatilhos do teto dos gastos públicos.
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Motivo: se a fonte de recursos for a criação de um novo tributo, e não corte de despesas, o teto dos gastos públicos no próximo ano vai acabar sendo rompido.
Aí, neste caso, o governo precisaria dos gatilhos, que são disparados e cortam despesas de pessoal, por exemplo, quando os gastos da União num ano superam os do anterior, corrigidos pela inflação.
Diante da dificuldade de aprovar medidas impopulares como fim do abono salarial ou congelamento de benefícios da Previdência, a avaliação de assessores do Ministério da Economia é a de que as chances de estourar o teto são cada vez maiores.
“Sem os gatilhos, a mensagem que será passada para o mercado vai ser péssima. O teto será rompido e nada será colocado para tentar corrigir isso. Por isso, não basta apenas aprovar novas fontes de receitas, temos de criar condições para cortar despesas também”, diz um interlocutor de Bolsonaro.
Líderes da base aliada do governo no Congresso sabem que o novo tributo também é impopular, mas pode ser a solução menos traumática diante da impossibilidade de aprovar medidas que acabam tirando recursos de programas sociais para bancar o Renda Brasil.
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Um assessor de Bolsonaro disse ao blog que o presidente mandou parar qualquer estudo do Renda Brasil que envolva corte de recursos de programas e benefícios sociais. Por isso, acabou dizendo que não quer mais falar sobre o novo programa social em seu governo.
Reservadamente, a estratégia é outra – tentar encontrar uma fórmula para vitaminar o atual Bolsa Família.
A fórmula deve passar pelo aumento no número de famílias atendidas, hoje na casa de 14 milhões, e pelo aumento do valor do benefício, que hoje tem teto de R$ 190.
A meta estabelecida até o momento, dentro do governo, é de atender mais de 20 milhões de famílias, com um benefício de R$ 300.
“É uma parada técnica, depois da repercussão negativa da nova proposta da equipe econômica. Mas temos sim de encontrar uma forma de proteger esses vulneráveis que hoje estão sendo socorridos pelo governo. Não dá para agora simplesmente cortar o benefício”, disse um assessor presidencial.
Bolsonaro aposta num programa na linha do auxílio emergencial – que já elevou a aprovação de seu governo – para continuar melhorando sua popularidade, visando principalmente chegar forte na campanha presidencial de 2022, quando tentará a reeleição.
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