Aparição discreta de Clinton reflete renovação do Partido Democrata

Em 2012, ele teve mais de 45 minutos no horário nobre da convenção democrata para defender a reeleição de Barack Obama. Em 2016, ele assumiu o protagonismo da campanha de Hillary. Neste ano, no entanto, ele terá cinco minutos – e fora do horário principal.

Politicamente, Clinton foi um presidente que se apresentou como uma “terceira via”, puxando para o centro um partido que tem se movido para a esquerda. A indicação de Joe Biden, neste ano, representa uma vitória da ala moderada do partido, mas a mudança no perfil da legenda é claro. Mesmo Biden a reconhece e se declara como um “candidato de transição” que passará o bastão para um novo perfil democrata.

Segundo trechos antecipados à imprensa de seu discurso, Clinton deve fazer uma defesa contundente de Biden, dizendo que o Salão Oval, de onde os presidentes despacham na Casa Branca, se tornou um “centro de tempestades” durante o mandato de Trump. “Em um momento como este, deveria ser um centro de comando”, disse Clinton. “Existe apenas caos. Só uma coisa nunca muda: sua determinação em negar responsabilidade e transferir a culpa”, deve dizer o ex-presidente.

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“Donald Trump diz que estamos liderando o mundo. Bem, somos a única grande economia industrial a ter sua taxa de desemprego triplicada”, deve afirmar Clinton, que apresentará Biden como “um cara pé no chão, que faz o trabalho”. “Um homem com uma missão: assumir responsabilidade, não transferir a culpa; concentrar, não distrair; unir, não dividir. Nossa escolha é Joe Biden.”

No campo pessoal, a bagagem de acusações de assédio sexual contra Clinton pesa desde o surgimento do movimento conhecido como “MeToo”.

Horas antes da segunda noite da convenção começar, o site do Daily Mail divulgou fotos de 2003 do ex-presidente recebendo uma massagem no pescoço de Chauntae Davies, uma das mulheres que denunciou Jeffrey Epstein, o bilionário americano morto acusado de tráfico e abuso sexual de menores. O fantasma do passado do ex-presidente não é mais tolerado pelo eleitorado feminino e progressista.

Ele ainda é popular entre o eleitorado democrata, mas não é um dos nomes mais aguardados da convenção. O contraste claro é o caso da deputada em primeiro mandato Alexandria Ocasio-Cortez, a mais jovem a se eleger à Câmara americana. AOC, como é conhecida, terá só um minuto para discursar nas duas horas desta noite, mas mesmo assim foi tratada como a grande atração.

A deputada de esquerda fez campanha por Bernie Sanders e é extremamente popular nas redes sociais, onde vídeos com seus eloquentes discursos no Congresso comumente se tornam virais. Ao menos 63% dos eleitores americanos que responderam pesquisa da rede CBS com a YouGov disseram que gostariam de ouvi-la discursar na convenção. A limitação de tempo dado a AOC foi lida nos bastidores como uma maneira de evitar dar munição ao discurso de Trump de que Biden está ligado à “esquerda radical”.

Neste ano, a cobrança crescente do eleitorado por maior participação de mulheres, negros, latinos e jovens nos quadros partidários exigiu um novo arranjo. O título de “discurso principal” da noite foi dado não a uma, mas a 17 estrelas em ascensão do partido. A divisão é apontada como um resultado da dificuldade do partido em eleger um só rosto que represente o futuro da legenda e ao mesmo tempo evitar que um nome como o de AOC roube a cena.

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