Aos 23 anos, esta brasileira já ganhou 4 vezes um concurso global da Apple

Quando a carioca Karina Tronkos descobriu que tinha sido uma das 350 vencedoras do concurso Swift Student Challenge, da Apple, em junho deste ano, um sentimento não tão inédito passou pela sua cabeça. Aos 23 anos, a estudante já venceu a competição mundial quatro vezes seguidas.

A estudante Karina Tronkos na WWDC de 2019. Foto: Karina Tronkos

O Swift Student Challenge é um desafio criado pela Apple para estudantes do mundo inteiro. Os competidores precisam apresentar projetos de aplicativos – os chamados “playgrounds” – construídos usando a Swift, uma linguagem de programação desenvolvida pela própria Apple.

Os autores dos melhores projetos, escolhidos pela Apple, são levados para o WWDC, uma conferência anual para desenvolvedores realizada pela empresa na Califórnia, nos EUA. Em 2020, por conta da pandemia de coronavírus, o evento foi totalmente online, mas pisar no famoso campus desenhado por Steve Jobs não seria uma sensação nova para Karina.

A jovem é a única brasileira a vencer as últimas quatro edições da competição consecutivamente. O desafio recebe milhares de aplicações todos os anos e costuma contar com uma boa parcela de brasileiros entre os vencedores.

Karina é uma designer de UX (user experience, ou “experiência de usuário”) no site da Globo e estudante de Ciência da Computação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Como uma cientista virou designer de apps? Foi paixão à primeira vista.

Quando ainda estudava engenharia da computação, ela fez estágio no Apple Developer Academy, uma parceria da Apple com universidades de todo o Brasil destinada a formar desenvolvedores experientes com a linguagem Swift e o ecossistema da Maçã.

“Foi lá que eu descobri que existia UX Design”, diz Karina, em entrevista ao Yahoo. “Para mim foi meio mindblowing, pensei ‘caramba, é verdade, essas são as pessoas por trás do design de produtos digitais’. E é muito mais do que a interface, é mapear todo o fluxo do usuário, entender de ponta a ponta quais são as necessidades dele, fazer testes e entrevistas. Simplesmente me apaixonei e falei ‘cara, é com isso que eu quero trabalhar’.”

Foi na mesma Apple Developer Academy que Karina virou fã dos princípios de design da Apple e descobriu o Swift Challenge. Seu primeiro projeto, desenvolvido em 2016 quando Karina mal tinha aprendido a programar, não ganhou – “super normal, eu também não me aprovaria”, lembra com bom humor.

No ano seguinte, ela ganhou com um playground que ensina funções do corpo humano para crianças; em 2018, ela fez um simulador de daltonismo como forma de promover a acessibilidade; em 2019 ela criou uma experiência interativa contando a história da astrônoma Nancy Grace Roman.

Em 2020, o projeto que garantiu seu tetracampeonato seguiu o tema espacial do ano passado e coloca o usuário em uma experiência educativa sobre a Estação Espacial Internacional. O segredo para conquistar os jurados da Apple e ganhar o Swift Challenge, segundo ela, é engajar o usuário.

“Eu sempre tento fazer algo educativo com um storytelling, e não ser aquela pessoa que diz ‘olha como eu sei usar tecnologia’”, ela diz. “Não é algo disruptivo tecnicamente, não uso um lindo voiceover que dá cambalhota e solta laser. Eu uso a tecnologia como meio para trazer minhas ideias à tona.”

Além de projetar experiências na Globo, estudar e projetar apps para a Apple, Karina também arranja tempo para compartilhar conteúdo sobre design nas redes sociais através do perfil Nina Talks. No Instagram, a influencer já tem quase 30 mil seguidores.

A ideia nas redes é dividir conhecimentos sobre design e inovação e dar visibilidade a projetos educativos na área de tecnologia. Um desses projetos é o Ladies that UX, um coletivo que tenta atrair mais meninas para este universo através de dicas, workshops, palestras e bolsas de estudos.

Se ganhar o Swift Challenge da Apple não é novidade para Karina, encontrar mais mulheres do que homens na sua área ainda é. “Eu já entrei em aulas na faculdade em que eu era a única menina. O professor olhou para a minha cara e falou ‘aqui é a sala de análise de algoritmos’. Eu respondi ‘eu sei’.”

“Se meninas não recebem incentivo, é muito difícil que elas, proativamente, escolham ir para um curso onde praticamente não tem menina.”

Para quem quer um currículo parecido com o de Karina, a dica dela é estudar. Muito. Procurar estágio em uma Apple Academy ou ver tutoriais gratuitos na internet. Saber programar também é um diferencial para designers que terão que lidar com desenvolvedores constantemente no trabalho, ela diz.

E será que em 2021 vem o penta? Karina prefere manter a humildade e destacar os trabalhos dos outros estudantes que representam o Brasil na WWDC, mas garante que o projeto do ano que vem já está desenhado – e ainda é segredo. “Só os meus pais sabem”, brinca.

Com Agências

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