Americano preso na Venezuela responderá por terrorismo, diz procurador-geral venezuelano


Regime chavista acusa cidadão dos EUA de planejar ataque a refinaria de petróleo. Tarek William Saab, procurador-geral da Venezuela, em foto de 24 de janeiro de 2020
Federico Parra/AFP
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou nesta segunda-feira (14) que vai acusar de terrorismo e tráfico de armas um americano que, segundo o regime chavista, estaria espionando e preparando um ataque a instalações petrolíferas venezuelanos.
Sete venezuelanos, incluindo um militar, também serão acusados pelo suposto envolvimento na ação. Saab diz que o grupo tentou “desestabilizar” a Venezuela atacando sua indústria petrolífera e rede elétrica.
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“Todos os cidadãos venezuelanos serão acusados dos crimes de traição, terrorismo, tráfico ilícito de armas e associação, enquanto o cidadão dos Estados Unidos será acusado dos crimes de terrorismo, tráfico ilícito de armas e associação [criminosa]”, disse Saab em declarações transmitidas pela televisão do governo após as prisões feitas entre sexta-feira e o fim de semana.
O procurador-geral identificou o americano como Matthew John Heath. Segundo Saab, ele pertencia à empresa de mercenários MVM, cumprindo missão no Iraque de 2006 a 2016 três meses por ano, onde trabalhou como operador de comunicações em uma Base Secreta da CIA.
Nicolás Maduro, presidente chavista da Venezuela, durante declaração em Caracas em 29 de junho
Miraflores Palace/Handout via Reuters
A captura do “espião americano” foi anunciada em 11 de setembro pelo presidente Nicolás Maduro. O chavista afirmou que Heath foi preso perto do gigantesco centro de refino de Paranaguá, hoje praticamente paralisado, segundo sindicatos de petróleo.
Dois dias antes da prisão, as autoridades descobriram e desmontaram, segundo Maduro, “um plano para gerar uma explosão na refinaria de El Palito”, a mais próxima a Caracas.
Militar preso
O procurador também destacou que entre os detidos está um militar venezuelano, Darwin Urdaneta, que a ser capturado tentou “burlar” os pontos de inspeção. “Ele teve a audácia de ir fardado para confundir os controles”, frisou Saab.
Ele acrescentou que Urdaneta, um sargento das Forças Armadas da Venezuela, considerado o principal apoiador do governo Maduro, viajava com Heath em um veículo onde foram encontrados um lançador de granadas, uma submetralhadora e partes de um “suposto material explosivo”, além de dólares em dinheiro.
As prisões coincidem com uma escassez crônica de combustível, agravada durante a pandemia de Covid-19. A Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo, deixou de ser exportador para importar combustível de aliados-chave como o Irã.
Especialistas atribuem o colapso às políticas fracassadas, falta de investimento e corrupção, enquanto Caracas culpa as sanções financeiras dos EUA que incluem um embargo de petróleo em vigor desde abril de 2019.
O regime chavista acusa com frequência o governo dos Estados Unidos de estar por trás de projetos que buscam derrubar Maduro, cujo governo a Casa Branca não reconhece.
Frentista enche tanque de caminhão na Venezuela, em foto de 11 de setembro de 2020
Federico Parra/AFP
Em agosto, os americanos Luke Alexander Denman e Airan Berry foram condenados a 20 anos de prisão na Venezuela, acusados de terrorismo por, entre outros crimes, um ataque armado fracassado ao país sul-americano em maio.
Segundo Saab, de abril de 2019 até hoje, 105 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por suposta participação em diferentes conspirações contra Maduro.
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