Alvos de ordens de prisão em ação que apura fraudes no Ibama eram dos ‘núcleos’ de falsificadores e estelionatários, diz PF


Todos os 5 mandados de prisão são cumpridos em Goiás; outros 48 de busca são executados em mais oito estados. Segundo investigação, esquema beneficiava donos de terras da Amazônia Legal e causou prejuízo estimado de R$ 150 milhões. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em Brasília
Google/Reprodução
Os cinco mandados de prisão expedidos pela Justiça no âmbito da Operação Tokens, que apura fraudes no sistema do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), são cumpridos em Goiás. De acordo com a Polícia Federal, os alvos são integrantes de dois “núcleos”: os falsificadores e os estelionatários. Eles agiam em um esquema para beneficiar donos de terras – terceiro e último núcleo – embargadas na região chamada de Amazônia Legal. O prejuízo estimado é de R$ 150 milhões.
O G1 contatou o Ibama por email e aguarda retorno.
De acordo com a PF, os agentes executam quatro ordens de prisão em Goiânia e uma em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana. No estado, ainda são cumpridos dez dos 48 mandados de busca e apreensão na capital (8), Aparecida (1) e Caldas Novas (1), no sul do estado.
Também há mandados nos seguintes estados: Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
Os nomes dos alvos não foram divulgados. Segundo a PF, os presos tinham como função falsificar documentos de verdadeiros servidores do Ibama e, de posse desses, obter certificados digitais (tokens) para desembargar propriedades autuadas e emitir certidões negativas.
Essas fraudes, segundo a PF, beneficiavam propriedades rurais no Pará e Mato Grosso. A corporação explica que essas áreas estão localizadas em regiões “sensíveis” da Amazônia Legal.
De acordo com a PF, foram constatados 122 desembargos (desinterdições de propriedade) irregulares em nome 54 pessoas físicas e empresas. A estimativa é de que a fraude tenha causado um prejuízo de R$ 150 milhões para a União, em multas não pagas e descumprimento de embargos em áreas ambientais.
Os envolvidos podem responder por crimes contra o meio ambiente, estelionato, uso de documento falso, alteração de sistemas de dados, descumprimento de ordens de embargos, prevaricação (funcionário público que age por interesse próprio no exercício do cargo) e corrupção. As penas podem chegar a 12 anos, além de multa.
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