Aluno da UFSC integra projeto vencedor em inclusão de autistas no mercado de trabalho

Um aluno do curso de Ciências da Computação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) integra a equipe do projeto que conquistou, no dia 5 de setembro, o 1º lugar no Autismo Tech.

Alexandro de Campos Teixeira Netto participou do hackathon que tem como objetivo principal encontrar soluções para incluir os autistas no mercado de trabalho.

Aluno da UFSC integra projeto vencedor em inclusão de autistas no mercado de trabalho – Foto: Divulgação/ND

A ideia vencedora foi o Austic, um fone de cancelamento ativo de ruído por condução óssea, que utiliza tecnologia inédita no Brasil.

O fone desenvolvido possui um microfone que capta os ruídos do entorno e transfere para a aplicação e processamento. A partir daí, um software cria ondas exatamente iguais e as emite praticamente ao mesmo tempo, só que em uma fase oposta, causando o cancelamento dos ruídos indesejados.

Com o uso da condução óssea, a transmissão ocorre constantemente à medida que as ondas sonoras vibram nos ossos, especificamente nos ossos do crânio, “permitindo ao ouvinte perceber o conteúdo de áudio sem bloquear o canal auditivo e sem retirar a atenção dele a sua volta”.

O aplicativo do Austic possibilita um ajuste manual de frequência e volume, além de realizar um background dos dados de volume e geolocalização, e garante um funcionamento automático em situações e locais frequentes.

O aparelho busca fomentar a qualidade de vida para indivíduos com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) que sofrem com sensibilidade auditiva e possibilita mais independência nas atividades diárias e profissionais, sem a preocupação com crises e gatilhos corriqueiros.

A equipe vencedora é formada por seis membros, que se conheceram pela internet. Além de Alexandro Netto, formam o grupo do projeto vencedor: Henrique Gomes de Souza, Júlia Demuner Pimentel, João Eliano Germano Gomes, Thainá Monteiro Ferreira e Carol Nobre Moraes.

Carol é autista e relatou à equipe os obstáculos que enfrentou na vida profissional como dentista, entre eles crises ocasionadas pelos sons e ruídos presentes no cotidiano do consultório.

Para Alexandro, a proposta do hackathon é muito nobre ao ajudar pessoas do espectro autista que são afetadas no cotidiano e, consequentemente, no mercado de trabalho.

Fone é capaz de mitigar os efeitos da hipersensibilidade auditiva em indivíduos com TEA – Foto: UFSC/Divulgação/ND

“Ter uma autista em nosso time nos ajudou muito a entender essas dificuldades e decidimos focar na maior delas: a hipersensibilidade auditiva, que leva a problemas de comunicação e até dor de cabeça, náuseas e vômito.”, disse.

No momento, o grupo está em fase de desenvolvimento e trabalha na divulgação e na captação de investimentos que possam viabilizar a produção do Austic para o mercado e, assim, promover melhorias e inclusão no espectro autista.

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