Alinhamento do Brasil com os EUA compra brigas que não nos interessam

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Foi no mínimo constrangedor aquele show de bajulação que o genocida que nos preside ofereceu ao embaixador dos EUA, no último Fourth of July, o 7 de Setembro dos americanos. Tivesse sido o Temer e a inopinada visita seria vista como um mero gesto de cortesia, até porque era sábado. Mas o histórico de Bolsonaro o condena.

Bolsonaro é o americanófilo mais despudorado e jeca a ocupar a presidência desde a proclamação da República. O que não chegaria a ser uma excentricidade se ele apenas fosse um aficionado incondicional da América do Norte, não um aficionado incondicional de Trump, ou seja, um fanático trumpista. Bolsonaro não gosta tanto assim da América e seus incontestes predicados, gosta é de Trump e suas patentes insânias, a ponto de macaqueá-lo em quase tudo.

Um forte componente masoquista prevalece nessa relação. Quanto mais Bolsonaro o adula, mais Trump o despreza e contraria suas expectativas.

Além do alinhamento automático e suicida com o governo americano, comprando brigas que não nos interessam (quase invadimos a Venezuela, pegamos a contramão mundial na questão palestina e nos indispomos com a China, nosso maior parceiro comercial), Bolsonaro fez todas as concessões a Trump, e não recebeu nada em troca. As últimas medidas protecionistas adotadas, no início desta semana, pelo presidente americano terão um impacto de US$1,6 bilhão em nossa economia.

Se Trump não se reeleger em novembro, o capitão ficará à deriva, a cumprir sem timoneiro nem espelho o seu já consolidado papel de pária internacional.

Voltando ao churrasco, o embaixador Todd Chapman, em Brasília desde março, é tanto um produto típico da política externa de Trump quanto o chanceler Ernesto Araújo o é da diplomacia bolsonarista. Texano, com um chapéu Stetson menos prosaico que o usado por Slim Pickens nas cenas finais de Doutor Fantástico, mais parecia um caubói urbano ou um prefeito de Barretos do que um diplomata. O embaixador certo no país certo, no momento certo.

Desta vez, capitão Jair não prestou continência à bandeira dos EUA, como fez em Dallas e até mesmo aqui. Segurou melhor seu puxa-saquismo, talvez porque já estivesse meio chumbado pelo coronavírus, que ao churrasco fortuitamente levou – se é que o levou, se é que o tinha.

Por falar em pestilência, o covidiota do Planalto poderia ter levado também o bufônico empresário Luciano Hang, vulgo “véio da Havan”, que mantém réplicas da Estátua da Liberdade defronte todas as suas lojas e é outro exemplo de despudorada americanolatria em alta na terra do mulato inzoneiro.

Nossa vassalagem a Washington, piorada à enésima potência desde que o Itamaraty, sob o comando do inacreditável Ernesto Araújo, passou a ser dominado, segundo Rubens Ricúpero, por “uma franja de lunáticos, com uma percepção distorcida do mundo”, tem pelo menos 74 anos de idade.

É possível que tenhamos cometido alguma sabujice entre 1823 (quando oficializamos os laços do Brasil imperial com os EUA) e os 123 anos seguintes, mas, até onde sei, foi em 1946, com aquele beijo do então deputado da UDN Otávio Mangabeira na mão do general Eisenhower, que a adulação sistemática teve início. Devidamente acompanhada de concessões econômicas aos americanos já na época inacreditáveis.

O que Getúlio Vargas fez poucos anos antes daquele beija-mão foi uma barganha esperta: acertou com Roosevelt entrar na guerra contra o nazifascismo em troca da usina de Volta Redonda, fundamental para o processo de industrialização do país. Dutra, seu sucessor, militar de poucas luzes, não só torrou em quinquilharias importadas as volumosas reservas cambiais acumuladas durante a guerra, como negociou 40 milhões de toneladas de manganês do Amapá a preço de banana.

Reza a lenda, por sinal nada lendária, que o ferro do Vale do Paraopeba ajudou a “derrubar” dois presidentes, Jânio Quadros e João Goulart, até ser entregue à Hanna Mining Company pelo primeiro presidente do regime militar de 1964, marechal Castelo Branco, alçado ao poder por um golpe financiado pelo governo Lyndon Johnson, com o ‘savoir faire’ da CIA, a expertise de Lincoln Gordon (o Todd Chapman da época), sob a atenta vigilância da Frota do Caribe da Marinha americana.

Antes mesmo da ditadura, nossas forças armadas já contavam com o “apoio didático” da famigerada Escola das Américas, então no Panamá, alma mater de milhares de militares e policiais, treinados e doutrinados pelo evangelho da Guerra Fria, e celeiro de vários ditadores latino-americanos. Com nova sigla (Whinsec) desde 2001, funciona agora em Forte Benning, na Geórgia. No apogeu das ditaduras militares no continente, muitos guardiões da democracia ocidental e da livre iniciativa aprenderam lá suas primeiras lições de tortura.

Com a CIA e o FBI criamos laços permanentes de mútua colaboração, que, no entanto, não precisavam ter atingido o grau de subserviência e promiscuidade logrado pelo procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, que nos últimos cinco anos, sempre à sorrelfa, compartilhou depoimentos de seus investigados na área internacional da Petrobrás com o Departamento de Justiça dos EUA e agentes do FBI. Isso daria um powerpoint.

Com Agências

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