O líder da oposição russa, Alexei Navalny, usou as redes sociais nesta terça-feira (15) para postar a primeira foto desde o seu envenenamento e dizer que está se recuperando bem no hospital Charitè, em Berlim.”Olá, aqui é o Navalny. Sinto a falta de vocês. Não consigo fazer quase nada ainda, mas ontem consegui respirar sozinho o dia todo. Em geral, sou eu mesmo. Não usei nenhuma ajuda externa, nem a válvula mais simples na garganta. Eu gostei muito. É um processo surpreendente, subestimado por muitos: eu recomendo isso”, escreveu em uma postagem no Instagram com uma foto ao lado dos familiares.

O opositor russo está na Alemanha desde o dia 23 de agosto, três dias após ser envenenado ainda em seu país natal. A principal suspeita é que o veneno tenha sido colocado em um chá que ele bebeu no aeroporto de Tomsk, na Sibéria, antes de embarcar para Moscou. Assim que o voo começou, Navalny passou mal e os pilotos fizeram um pouso de emergência em Omsk, onde ele foi internado na UTI do hospital local.

Após dizerem que acreditavam em envenenamento, os médicos russos voltaram atrás e disseram que o político teve uma disfunção metabólica. No entanto, após exames já na Alemanha, o governo anunciou que foi encontrada uma substância química do grupo novichock em exames de sangue.

Nesta segunda-feira (14), Berlim comunicou que laboratórios independentes da Suécia e da França também constataram a presença do veneno. Porém, os russos continuam questionando os resultados.

Além do porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitri Peskov, dizer que não foram encontradas evidências da substância pelos médicos locais, hoje foi a vez do diretor dos serviços secretos externos da Rússia (SVR), Serghei Naryshkin, fazer o mesmo questionamento.

“É um fato que, no momento que Alexei Navalny deixou o território russo, não haviam toxinas no seu organismo. Portanto, temos muitas perguntas para a parte alemã”, disse em entrevista à agência local Interfax.

No entanto, a pressão europeia sobre o Kremlin para abrir uma investigação sobre o crime continua.

O alto representante europeu para Política Externa, Josep Borrell, afirmou que o envenenamento “chocou a todos” e que “condenamos a tentativa de homicídio” do opositor.

“O governo alemão confirmou, em 2 de setembro, que Navalny foi envenenado por uma substância química militar. Agora, há provas irrefutáveis que um agente do grupo novichock foi utilizado para tentar assassinar Navalny”, afirmou o espanhol.

Para Borrell, “o uso de armas químicas em qualquer lugar, por parte de qualquer ator, em qualquer momento e em qualquer circunstância representa uma grave violação do direito internacional”. Por isso, o representante europeu “convidou as autoridades russas a cooperar plenamente nessas investigações e, em particular, com a Organização para a Proibição de Armas Químicas”.