'Uma reforma mais ou menos poder ser uma ducha de água fria', diz Arminio Fraga

RIO — Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), defendeu que a reforma da Previdência precisa ser expressiva e “de impacto”. Caso contrário, pontuou o economista, o mercado pode ficar frustrado com os rumos do Brasil. Ele também disse que o sistema de capitalização tem seu lado positivo, mas que não é uma “solução mágica” para os problemas relacionados à Previdência.

— A questão da Previdência precisa ser resolvida de forma impactante. Uma reforma mais ou menos poder ser uma ducha de água fria (no mercado) — disse Arminio durante o evento “História Contada do Banco Central do Brasil”, que reuniu os ex-presidentes da autoridade monetária nesta sexta, no Rio. Arminio 11/01

Arminio relembrou que o Brasil passou por um colapso fiscal nos últimos cinco anos, e disse que o ajuste fiscal que o Brasil precisa fazer é muito grande.

— A Previdência é, de longe, o maior item na despesa, por isso é fundamental que a reforma seja impactante. Acredito que, se assim for feito, as coisas melhoram bastante. Caso não, isso impõe um peso muito grande no resto e as tensões vão crescer muito.

O economista também pontuou que a capitalização é positiva porque ajuda os contribuintes a terem mais consciência de que elas estão poupando e que devem se preocupar com os rumos de sua poupança, mas que somente isso não basta.

— A capitalização não é uma solução mágica. Em ralação ao curto prazo, é preciso pensar nas seguintes varáveis: quando, como e para quem. — frisou.

Em relação ao tempo, ele disse que é importante levar em consideração os gastos com a Previdência e como isso funcionará no futuro.

— O quando existe porque, na medida em que o dinheiro que era destinado para cobrir os gastos Previdência vai para as contas dos contribuintes, os gastos terão de ser cobertos de outra maneira. Esse é o famoso problema da transição, e ele é bastante relevante.

Quando fala sobre “quem” e “como”, o ex-presidente do BC explica que é preciso estar atento ao retorno dos rendimentos por meio dos juros ao longo do período. Sendo assim, ele explica que o retorno é uma variável bastante importante.

— É mais ou menos consenso que para a população de baixa renda é mais seguro ter uma aposentadoria já quantificada, que as pessoas entendam e possam contar com ela — disse. — A conta pessoal é bacana, mas o contribuinte vai estar exposto ao retorno, quanto os juros vão render no período. Então, é mais ou menos um consenso que é preciso ter uma forma mais segura para a população menos favorecida (financeiramente). É um seguro que acredito que essas pessoas merecem, e o governo tem que dar isso para elas.

Preocupação com o exterior

Quem também estava presente no evento era Carlos Langoni, também ex-presidente do BC e diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, que se reuniu mais cedo nesta sexta com o ministro da Economia Paulo Guedes. De acordo com Langoni, o encontro foi ocorreu porque o ministro queria informações sobre a economia mundial.

— O ministro estava bastante interessado em ter uma visão independente dos cenários de curto e médio prazo da economia mundial. Comentei com ele que a tendência é de desaceleração da economia mundial — disse. — Existe um certo nível de incerteza em função da guerra comercial entre Estados Unidos e China e a normalização monetária que está sendo implantado pelo Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano).

Entretanto, de acordo com a avaliação de Langoni, a possibilidade de uma recessão global é minimizada.

— O risco de recessão é pequeno, mas o ambiente externo incerto é um incentivo para que a agenda de reformas do governo seja implementada o mais rapidamente possível.

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