‘UFC de robôs’ ganha competições e atrai investimento

Ano passado, Minotauro entrou na arena, na Califórnia,
para encarar um concorrente que soltava fogo. Saiu todo queimado, mas destruiu
parte do oponente e conquistou a vitória. Todos passam bem e não foram
hospitalizados, mas precisaram de muitos reparos nos laboratórios onde vivem. E,
apesar das cicatrizes, estão prontos para o próximo combate… de robôs.

Com mais de 100kg, Minotauro é um dos principais campeões da RioBotz,
laboratório de robótica da PUC-RJ. Já conquistou o título de robô mais
destruidor do programa americano de TV a cabo BattleBots e foi vice-campeão no
ano passado.

Ele é o mais pesado da linhagem touro, desenvolvida pelos alunos de
engenharia da universidade. O mais leve da categoria combate pesa 150 gramas.

Nenhum deles, no entanto, vai à arena sozinho. Atrás do vidro reforçado —
afinal, são robôs de aço que, em alguns casos, acabam lançados pelos ares — , o
controle está nas mãos de alunos da faculdade.

— Quando comecei a controlar o rádio, recebi dicas de um ex-aluno para gerar
adrenalina antes de cada luta, respirar fundo e manter a concentração. Não é só
sair batendo, tem que ter estratégia para a luta — diz Marcos Vinícius De
Angeli, de 20 anos, no quinto período de engenharia de produção, que estava na
luta com fogo. — Não dava para tocar nele e fazer os reparos. Tivemos que
colocá-lo no gelo.

O combate entre robôs é um dos esportes tecnológicos que atraem investimentos
de empresas do setor. Normalmente, elas bancam competições a fim de estimular o
desenvolvimento de novas tecnologias. Além da robótica, compreende
aeromodelismo, drones e carros bajas. Os universitários também abrem portas no
mercado. Lá fora, o UFC de robôs virou hobby de milionários.

Grandes competições, como a Winter Challenge, a principal do Brasil, chegam a
receber 1.400 pessoas, entre competidores e público. Com direito à torcida,
cânticos e rivalidade saudável. No Rio, a turma da PUC compete com a
MinervaBots, da UFRJ.

O time de engenharia da federal tem como um dos mais fortes “atletas”, o robô
Bigode, de 1,36kg, da categoria Beetleweight, ou insetos. Ele já ganhou seis
troféus para a equipe.

— Ele é bem conhecido entre os competidores. O clima é
muito bom, trocamos muita experiência e informação. Temos até dancinha quando
ganhamos — diz a capitã da equipe, Ágatha Pires , de 20 anos.

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