Túneis causam desmoronamento de terra em área externa da Penitenciária Agrícola de Roraima


Imagens da situação foram divulgadas pelo Ministério Público do Estado nesta quinta-feira (8). Precariedade na estrutura do maior presídio de Roraima foi citada pela PGR em pedido de intervenção federal. Terra desmoronando em local onde foi cavado túnel dentro da penitenciária Agrícola de Monte Cristo
MPRR/Divulgação
Os túneis cavados por presos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo têm feito com que a terra desabe em algumas áreas externas do presídio, é o que mostram as imagens divulgadas pelo Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) nesta quinta-feira (8).
As fotos foram feitas durante uma inspeção em julho deste ano. Pavilhões destruídos, destelhados, acúmulo de lixo, esgoto estourado e muralha com estrutura precária para os agentes penitenciários também estão entre os problemas constatados pelo órgão na vistoria.
“São túneis que foram descobertos, que depois jogaram terra. Então, são resquícios [esses demoronamentos] de alguns túneis encontrados”, explicou a procuradora-geral de Justiça em exercício, Rejane Azevedo.
O governo de Roraima foi procurado, mas ainda não se pronunciou acerca das informações divulgadas pelo MPRR.
Imagens mostram péssimas condições da Penitenciária Agrícola de Roraima
O material da vistoria foi usado no pedido de intervenção federal nas unidades federais de Roraima feito pela Procuradoria Geral da República na quarta-feira (7).
Somente este ano foram encontrados túneis de 100 metros, 44m, 20m, 70m, 50m, 35m, 50m e há casos em que mais de uma escavação foi encontrada em um só dia, todas elas dentro do presídio.
Em abril, um detento morreu soterrado enquanto escavava um túnel na ala 6 da Penitenciária.
Com uma média de 1,2 mil presos, a Penitenciária Agrícola é a unidade com a maior população carcerária do estado. A capacidade do presídio é para 750 homens.
A unidade também é a mesma onde houve o massacre de 33 detentos em janeiro de 2017, o terceiro maior do país.
Terreno dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, na área externa às alas
MPRR/Divulgação
Pedido de intervenção
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao presidente Michel Temer (MDB) pela intervenção federal nos sistemas prisional e socioeducativo de Roraima.
No documento, a PGR destaca que a crise de gestão penitenciária é grave e que os presídios locais estão “à beira de um colapso”.
Raquel Dodge sugere que a intervenção seja mantida até 31 de dezembro deste ano, data do término da gestão da governadora Suely Campos (PP) que, na avaliação da PGR, é responsável pela situação da desordem pública.
Interrupção do pagamento de contratos de prestação de serviços prisionais e socioeducativos, falta de pagamento de pessoal, descontrole da administração das unidades, tortura, chacinas e fugas de internos são alguns dos problemas citados pela procuradora no pedido.
O pedido da PGR é feito em meio à crise financeira que o governo enfrenta. Sem dinheiro, o estado não paga os salários de servidores públicos desde setembro, o duodécimo dos poderes Legislativo e Judiciário estão atrasados, firmas deixaram de receber e apenas uma delegacia tem funcionado na capital.
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