Salles diz que petróleo nas praias do Nordeste é de 'navio estrangeiro'

BRASÍLIA – Em uma audiência na Câmara dos Deputados para discutir as queimadas na Floresta Amazônica, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o derramamento de petróleo no litoral do Brasil reforça a necessidade de um sistema de contenção de danos eficiente. Salles admitiu a dificuldade de conter o avanço do óleo. Segundo ele, “quando (o derramamento) é de origem indeterminada e desconhecida, a sistemática precisa ser aprimorada”.

– Esse incidente no litoral demonstra a importância justamente de um licenciamento, de um modelo, de um sistema que seja de contenção de danos bastante eficiente. Esse petróleo, muito provavelmente da Venezuela, é petróleo que veio por um navio estrangeiro, navegando próximo à costa brasileira – respondeu o ministro quando questionado pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

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Na segunda-feira, Salles disse que equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) recolheram mais de 100 toneladas de borra de petróleo na costa do Nordeste desde o início de setembro.

Delgado reagiu ao ministro e à política ambiental do governo Jair Bolsonaro. O deputado da oposição considera o ano de 2019 como “o pior para a política ambiental do Brasil”.

– Estamos pecando no ar, na terra e no mar. E tudo envolve questão ambiental – criticou Delgado.

O deputado culpou a decisão do ministério que permitiu a exploração de petróleo no Arquipélago de Abrolhos, primeiro parque nacional marinho criado no Brasil. Em fevereiro, o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, ignorou recomendações técnicas e autorizou o leilão de sete blocos de petróleo localizados em regiões de alta sensibilidade, incluindo Abrolhos.

Com 87.943 hectares, o Parque Nacional de Abrolhos foi criado para proteger a região cuja atividade pesqueira movimenta US$ 100 milhões por ano.

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