Rússia diz estar aberta a propostas dos EUA para novo pacto nuclear

A Rússia está disposta a considerar novas propostas dos Estados Unidos para substituir o pacto sobre armas nucleares suspenso na semana passada.

Segundo afirmou nesta quinta-feira, 7, o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, as autoridades de Moscou estão dispostas a negociar um novo tratado mais amplo e que inclua mais países.

A Rússia suspendeu o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) no fim de semana, depois que Washington anunciou que iria se retirar do acordo em seis meses. Os Estados Unidos acusam Moscou de violar o pacto, mas os russos negam as alegações.

Donald Trump disse na semana passada, contudo, que gostaria de manter conversações com o objetivo de criar um novo tratado de controle de armas.

“É claro que vimos a referência na declaração do presidente Trump a possibilidade de um novo tratado que poderia ser assinado em uma sala bonita e que este tratado deveria também incluir outros países como seus participantes”, disse Ryabkov.

“Esperamos que esta proposta seja concretizada e colocada no papel ou por outros meios”, disse Ryabkov em coletiva de imprensa em Moscou.

Ryabkov disse, contudo, que os Estados Unidos ainda não enviaram a Moscou nenhuma proposta concreta para um novo pacto.

O tratado de 1987 eliminou os arsenais de mísseis de médio alcance das duas maiores potências nucleares do mundo, mas deixa outros países livres para produzi-los e implantá-los.

No coração da disputa recente sobre o pacto está a recusa da Rússia em destruir o míssil Novator 9M729. Moscou insiste que ele é totalmente compatível com o tratado, mas os americanos afirmam que o armamento viola os termos do pacto.

Novas armas

Nesta quarta-feira 6, Moscou anunciou que pretende desenvolver até 2021 uma versão terrestre dos mísseis usados até agora pela Marinha, até então proibidos pelo acordo com os americanos.

“Até 2020 será necessário elaborar uma versão terrestre do sistema Kalibr”, afirmou o ministro de Defesa, Serguei Shoigu.

A Subsecretária de Estado para Controle de Armas e Assuntos de Segurança Internacional, Andrea L. Thompson, também já havia dito que os Estados Unidos poderiam iniciar pesquisas e construir mísseis proibidos pelo INF, caso o tratado fosse encerrado.

Segundo estimativas feitas pela Federação de Cientistas Americanos (FAS), os Estados Unidos possuem atualmente 6.550 ogivas nucleares, das quais 1.350 estão posicionadas em locais estratégicos, e a Rússia 6.850 ogivas, entre elas 1.444 posicionadas.

(Com Reuters)


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