Repórteres presos da Reuters e fotógrafos em fronteira dos EUA vencem Pulitzer

NOVA YORK — A Reuters venceu dois prêmios Pulitzer nesta segunda-feira, um de
reportagem internacional pela investigação que revelou a execução de 10
muçulmanos rohingyas por camponeses budistas e forças de segurança de Mianmar, e
outro relativo a fotografias de migrantes na fronteira dos Estados Unidos.

Os prêmios marcam o segundo ano consecutivo em que a Reuters vence dois
Pulitzers, o mais prestigioso prêmio do jornalismo nos EUA. Ao todo, a Reuters
foi agraciada sete vezes desde 2008.

Dois dos premiados neste ano estão presos há 490 dias em Mianmar por seu
papel na revelação dos assassinatos.

“Enquanto é gratificante ser reconhecido pelo trabalho, a atenção pública
deve estar focada mais nas pessoas sobre as quais reportamos do que sobre nós:
nesse caso, os rohingya e os migrantes da América Central”, disse o editor-chefe
da Reuters, Stephen J. Adler.

A Reuters e a Associated Press receberam prêmios de reportagem
internacional.

A participação da Reuters inclui uma reportagem que revelou a execução de 10
rohingyas por camponeses budistas e forças de segurança de Mianmar no vilarejo
de Inn Din, no centro do conflito no Estado de Rakhine.

Dois jovens repórteres da Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, ambos cidadãos de
Mianmar, encontraram uma cova coletiva repleta de ossos que saíam pela
superfície. Eles então passaram a reunir depoimentos de executores, testemunhas
e familiares das vítimas.

A dupla obteve com aldeões três fotografias devastadoras: duas delas
mostravam os 10 rohingyas ajoelhados; a terceira mostrava os corpos mutilados e
baleados dos mesmos 10 homens na cova rasa.

Antes que Wa Lone e Kyaw Soe Oo pudessem concluir sua investigação, ambos
foram presos em dezembro de 2017 no que observadores internacionais têm
criticado como um esforço de autoridades para impedir a reportagem.

A matéria, “Massacre em Mianmar”, foi concluída pelos colegas Simon Lewis e
Antoni Slodkowski e publicada em fevereiro passado.

Em setembro, Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram condenados a 7 anos de prisão por
violarem a Lei de Segredos Oficiais do país.

“Estou emocionado que Wa Lone e Kyaw Soe Oo e seus colegas tenham sido
reconhecidos por sua cobertura corajosa e extraordinária, e por nossos
fotojornalistas por suas imagens tocantes que mostram a humanidade enfrentando
imensos obstáculos”, disse Adler. “Continuo profundamente perturbado,
entretanto, por nossos repórteres Wa Lone e Kyaw Soe Oo ainda estarem atrás das
grades.”

IMAGENS DA FRONTEIRA

Na categoria de fotografia breaking news, 11 fotógrafos da Reuters, incluindo
o brasileiro Ueslei Marcelino, que trabalharam no projeto “Na Trilha de
Migrantes à América”, fizeram um pacote de imagens de imigrantes da América
Central à fronteira dos EUA.

Uma foto de Kim Kyung-Hoon mostrou migrantes fugindo de gás lacrimogêneo
disparado por autoridades norte-americanas para o lado do México na fronteira
San Diego-Tijuana. Na imagem, uma mãe carrega suas filhas gêmeas pelo braço,
enquanto latas de gás soltam fumaça.

Em outra foto, uma aérea, Mike Blake foi o primeiro a fotografar o centro de
detenção de Tornillo, no Texas, onde crianças andavam enfileiradas, como
prisioneiras.

Goran Tomasevic fez uma imagem na cidade hondurenha de San Pedro Sula que
mostra um galo andando ao lado do corpo de um membro assassinado de uma gangue.
Tomasevic já havia sido finalista do Pulitzer por suas fotografias da guerra na
Síria.

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