Promotoria japonesa planeja denunciar Ghosn por ter ocultado US$ 44 milhões

RIO – Promotores japoneses planejam denunciar o executivo da Nissan Carlos Ghosn na segunda-feira por má conduta financeira, informou nesta sexta-feira o jornal japonês Nikkei. Ghosn foi preso em 19 de novembro e afastado da presidência do Conselho de Administração da montadora dias depois. Ele é acusado de ter informado a autoridades do país remuneração abaixo do que de fato recebera. Foram ocultados US$ 44 milhões em cinco anos (R$ 172 milhões).

No Japão, suspeitos de crimes podem ser mantidos em custódia por dez dias, prazo prorrogável por mais dez dias. Após esse período, os promotores têm que encaminhar uma acusação formal à Justiça, deixar os acusados sair da cadeia ou prendê-los sob nova acusação. conteúdo gohsn 0711

No caso de Ghosn, o fim do período da prisão prorrogada acaba em 10 de dezembro, na próxima segunda-feira. Segundo o Nikkei, Ghosn e o ex-diretor da Nissan Greg Kelly, que teria ajudado o chefe a ocultar parte dos rendimentos, serão denunciados. Kelly também está preso desde 19 de novembro.

De acordo com o jornal, Ghosn deve ser denunciado por ter sonegado informações sobre sua remuneração entre 2010 e 2015. Nesse período ele teria declarado valores 50% menores do que os 10 bilhões de ienes (cerca de US$ 88 milhões ou R$ 337 milhões) que de fato teria recebido. Há ainda uma acusação de sonegação para o período de 2015 a 2017.

Ghosn e Kelly devem permanecer na prisão também por outra suspeita: a de divulgação de comunicados falsos nos relatórios anuais. Neste caso, não apenas os dois executivos podem ser processados como também a Nissan. Segundo o jornal, os promotores querem multar a montadora por não ter prevenido o crime.

Os dois executivos negam as acusações, segundo a mídia japonese. Até agora, eles não se manifestaram publicamente. Os promotores investigam também o uso de recursos da Nissan para compra de imóveis para uso pessoal de Ghosn em quatro cidades, incluindo o Rio.

Ghosn também foi afastado da presidência do Conselho da Mitsibish. Na francesa Renault, ele não foi demitido, mas seus cargos foram ocupados interinamente por outros executivos do grupo. Ele ocupava a presidênia executica, que toca o dia a dia da empresa, e a presidência do Conselho, que responde pelas questões estratégicas.

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