Produtora mineira de azeite busca selo de certificação de qualidade

Com uma produção média de 85 toneladas de azeitonas por safra, o que gera cerca de 8,5 mil litros de azeite, a Cauré Agronegócios está investindo na produção de azeite e já conquistou, inclusive, prêmio internacional pela qualidade. Com previsão de inaugurar sua primeira fábrica de extração até o final do ano, em 2020 a empresa vai apostar também na certificação do produto.

De acordo com o responsável pela Fazenda Cauré, com sede em Alagoa, no Sul de Minas, Antônio Carlos Dias, a expectativa é buscar a certificação junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O órgão é o responsável por auditar a produção de azeite e conceder o selo do Programa Certifica Minas, que, desde o ano passado, passou a englobar o azeite.

“Nossas expectativas são positivas em relação à certificação. Produzimos um azeite de alta qualidade, e com a certificação teremos isso atestado. O selo de qualidade é importante também para conquistarmos novos mercados e agregar valor”, explicou.

Ainda segundo Dias, a qualidade do Azeite Prado & Vazquez, a marca da empresa, é reconhecida internacionalmente. Este ano, o Azeite Prado & Vazquez Arbequina ganhou o prêmio de Melhor Azeite Frutago Ligero do Hemisfério Sul. Já o Azeite Prado & Vazquez Grapollo ganhou uma menção honrosa. O certame aconteceu na Espanha durante a ExpoOliva. O evento foi realizado na cidade de Jaén, que é o polo de olivicultura espanhola.

Vários investimentos em adaptações estão em andamento na unidade produtiva. O principal deles é a fábrica de extração de azeite, com previsão de inauguração para o fim do ano. A produção do item é feita respeitando o meio ambiente e os padrões de qualidade e sanidade, fatores cruciais avaliados no processo de certificação.

Adesão – Segundo o gerente de certificação do IMA, Rogério Carvalho Fernandes, os primeiros processos de certificação – que têm adesão voluntária – devem ser iniciados em fevereiro de 2020, quando começa a safra de azeitonas em Minas Gerais. As unidades produtoras que tiverem de acordo com as exigências podem receber o selo em um período de 30 dias. Caso existam inconformidades, o processo é um pouco mais longo.

“Sabemos que muitos produtores estão se preparando e se adequando às exigências para iniciar o processo de certificação. O selo que atesta a qualidade do azeite foi criado pela demanda das próprias associações da Serra da Mantiqueira. A certificação vem pela importância de melhorar as condições de comercialização e de gestão dos processos produtivos. No caso do azeite, com o selo, vamos aguçar o interesse dos consumidores pelo produto, que vão querer saber mais sobre os diferenciais, como foi feito, entre outros detalhes”, explicou Fernandes.

Para ter acesso ao selo do Programa Certifica Minas, será necessário atender a aspectos gerais e específicos. Nos gerais, serão avaliados as questões sociais, ambientais e de gestão. Dentre os específicos para o azeite, o IMA irá auditar as oliveiras, verificando a procedência da muda, as condições sanitárias, a fertilização do solo, a área de cultivo, o manejo das pragas e doenças, a irrigação, a instalação e o armazenamento do produto. O azeite também será atestado em relação à gestão do processo produtivo, das boas práticas agrícolas, da responsabilidade social e da sustentabilidade ambiental e econômica.

“O produtor que adota todas as práticas e é aprovado no processo de certificação, que é de adesão voluntária, terá o direito de utilizar o selo. Anualmente, o IMA fará auditoria para verificar se o produtor está cumprindo as exigências”, destaca o gerente do IMA.

Ainda segundo Fernandes, o selo é importante tanto para o produtor como para o consumidor.

“Para o produtor, além de agregar valor, a melhor mudança é na gestão da propriedade e adoção de normas sustentáveis, que o tornarão mais eficiente e competitivo. Já o consumidor terá a oferta de um alimento diferenciado, com qualidade garantida e respeito às normas socioambientais”.

Para os produtores da agricultura familiar o processo de certificação do IMA é gratuito. Já para os produtores que não são da modalidade, o valor gira em torno de R$ 360. De acordo com Fernandes, o preço é muito acessível quando comparado com empresas privadas que fazem esse tipo de certificação, cujo valor cobrado fica em torno de R$ 3 mil.

Source: http://www.diariodocomercio.com.br/rss.xml

Loading...