Problemas longe do fim para mães de bebês da UTI neonatal do Pedro II

O drama das mães que estão com seus filhos internados na UTI neonatal do Hosítal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste, parece longe do fim. Um dia depois de o EXTRA ter mostrado os problemas enfrentados na unidade, como falta de pessoal, de insumos e de ítens básicos de higiene, além do ar condicionado com defeito, quase nada mudou.

Segundo as mães, o ar condicionado está funcionando nesta segunda-feira, mas não como deveria. Além de fazer muito barulho não está refrigerando direito, segundo as queixas. Elas acreditam que o aparelho não foi trocado, como prometeu a Secretaria municipal de Saúde, mas apenas consertado.

— Acho que não trocaram o aparelho. Devem ter feito só uma gambiarra. Meu medo é que o meu bebê possa pegar uma infecção, já que o ar não refrigera direito e, com isso, as bactérias podem proliferar — reclama Cássia Venâncio da Silva, de 34 anos, mãe de Maria Clara, nascida prematura aos sete meses e há dois internada na unidade.

O ar condicionado é apenas um dos muitos problemas. Conforme o EXTRA havia mostrado, cada turno possui apenas um enfermeiro e três técnicos, quando o ideal seriam dois enfermeiros e dez técnicos. Nesta segunda, um fisioterapeuta que preferiu não se identificar disse que havia um único profissional dessa especialidade para atender a UTI neonatal, a Pediatria e a Emergência, quando o ideal seria um para cada setor. A falta de pessoal está ligada aos atrasos dos salários.

— Tem criança que precisa de atendimento do fisioterapia e a mãe tem de ficar ligando para saber em que setor o profissional está. A gente espera que os recursos prometidos cheguem, mas se nem os salários dos funcionários estão sendo pagos — acrescenta Maria Carolina Bruno, de 30 anos, mãe de Riquelme, que completa três meses na unidade nesta terça-feira.

A criança, que nasceu prematura, está à espera de uma ressonância para que os médicos possam fechar o seu diagnóstico, mas o exame só deve ser feito no começo de março. Desesperada, a mãe pensou em recorrer a uma unidade particular para fazer o procedimento, mas desistiu depois de ter sido informada que correria o risco de perder a vaga no Pedro II.

— A ressonância é fundamental para o médico fechar o diagnóstico e me dizer o que a criança tem.

Luana Caroline de Mendonça Fernandes, de 16 anos, mãe de Laura Helena, de 16 dias, contou que a filha apresentou quadro de apneia do sono e convulsão ao nascer e que agora está com infecção. Ela teme que os problemas com o ar condicionado e a higienização do hospital possam agraver o quadro da menina. Ela contou ainda que o bebê deveria estar numa encubadora, mas pela falta do equipamento está entubada num leito.

No domingo, a Secretaria municipal de Saúde havia prometido a troca do aparelho de ar condicionado para esta segunda-feira. O órgão havia informado também que esta semana, R$ 90 milhões serão depositados pelo município na conta das Organizações Sociais (OSs) gestoras das unidades de saúde, para regularizar a situaçãio de seus funcionários. O órgão foi procurado novamente nesta segunda-feira, mas ainda não respondeu.

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