Polícia pede prisão de cardiologista por suspeita de crime sexual

Depoimento de uma mulher deu início a uma investigação de um suposto abuso sexual em série. Pelo menos 14 vítimas relataram abusos. Pacientes denunciam abuso sexual de cardiologista em Presidente Prudente (SP)
Dezessete mulheres prestaram depoimento à polícia de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, para acusar um cardiologista de abusos sexuais durante consultas. O Ministério Público suspeita que os casos começaram há mais de dez anos.
O depoimento de uma mulher, em julho de 2018, deu início a uma investigação de um suposto abuso sexual em série. A partir do relato, a polícia passou a investigar o cardiologista Augusto César Barreto Filho, hoje com 74 anos. Descobriu que já existiam denúncias na delegacia de defesa da mulher de Presidente Prudente há, pelo menos, dez anos.
A polícia, então, entrou em contato com atuais pacientes do médico. Pelo menos 14 relataram abusos. “Pacientes e vítimas ouvidas relatam que, durante a aferição da pressão arterial, o médico aproveitava para se debruçar no corpo dela de maneira lasciva. Hora passando a mão pela perna, relatos de passando a mão nas vaginas das vítimas… Bem como há vários relatos em que, durante a escuta do coração e do pulmão, o médico também passava as mãos nos seios das vítimas”, relata Adriana Pavarina, delegada da Delegacia de defesa da Mulher (DDM).
“Ele não acabava nunca de ver a pressão. E ficava alisando meu braço, esticava meu braço. Eu comecei a achar muito estranho. De ficar alisando meu braço, parecendo assim que queria que a minha mão ficasse muito próxima dele. E eu ficava recuando a minha mão”, conta uma suposta vítima. “Eu fiquei deitada e ele pegava o braço direito dele para colocar o aparelhinho aqui para fazer a ausculta. Aí ele colocava todo o braço dele em cima da minha barriga”, diz.
“Ele começou a agir de modo estranho. Ele pegou e foi pra pegar na minha coxa e ele tentou colocar a mão por baixo da minha calça. Foi a hora que eu meti a mão e dei um tapa nele com força e questionei o que é que estava acontecendo ali. E pela segunda vez ele veio e deu um sorriso malandro. Tentou pela segunda vez e dei um tapa mais violento. Aí ele pegou e se esquivou e tentou se livrar com bom humor, dizendo que eu era muito brava”, relata outra suposta vítima.
Em dezembro, a delegada do caso chamou Augusto Cesar Barreto Filho para prestar depoimento, mas permaneceu em silêncio. Depois disso, a defesa do cardiologista afirmou que o médico pediu o desligamento do Conselho Regional de Medicina. Mas o cadastro dele continua ativo no site do CRM.
Com base nesse fato, o Ministério Público estadual apresentou denúncia de violação sexual mediante fraude e pediu a prisão preventiva do cardiologista. A Justiça ainda analisa o pedido.
“A maneira de execução do crime, geralmente praticado no sigilo do consultório, revela a periculosidade acentuada. São elementos suficientes para decretar a preventiva. Eu acredito, sim, que ele pode praticar esse tipo de ato mesmo no consultório ou em outro lugar. Porque a natureza dele é voltada para esse tipo de ação”, afirma o promotor de Justiça Filipe Teixeira Antunes.
Novas vítimas dos supostos abusos continuam a procurar a polícia. Só nesta terça-feira (15) foram duas. A paciente que deu início às investigações afirma ter esperança na Justiça: “Eu poderia ter gritado? Poderia. Poderia ter levantado? Poderia. Não fiz por medo. Medo do homem. Medo porque ele era médico. Precisava alguém tomar o primeiro passo e eu fiz isso”.
A defesa do médico Augusto Cesar Barreto Filho afirmou que ainda não foi comunicada formalmente pela Justiça.
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